PDFImprimirE-mail

Sucesso do Além

AddThis Social Bookmark Button

Espiritismo

Siga-nos no Twitter

 

faceb

 

Homenagem a esse grande homem, José Alencar.

 

Pronunciamento do Ex-Vice-Presidente da República do Brasil, sr. José Alencar Gomes da Silva

no 3º Congresso Espírita Brasileiro em homenagem ao centenário de Chico Xavier em Brasília/DF.

 

“A humildade não está na pobreza,
não está na indigência, na penúria,

na necessidade, na nudez e nem na fome”.


*Desde quando o senhor sabe que, do ponto de vista médico, sua doença é incurável?

JA – Os médicos chegaram a essa conclusão há uns dois anos e logo me contaram. E não poderia ser diferente,
pois sempre pedi para estar plenamente informado.
A informação me tranquiliza. Ela me dá armas para lutar.
Sinto a obrigação de ser absolutamente transparente
quando me refiro à doença em público. Ninguém tem nada a ver com o câncer do José Alencar, mas com o câncer do vice-presidente, sim. Um homem, público com cargo eletivo, não se pertence.
*O senhor costuma usar o futebol como metáfora
para explicar a sua luta contra a  doença.
Certa vez, disse que estava ganhando de 1 a 0.
De  outra, que estava empatado. E, agora, qual é o placar?

JA – Olha, depois de todas as cirurgias pelas quais
passei nos últimos anos, agora me sinto debilitado
para viver o momento mais prazeroso de uma partida:
vibrar quando faço  um gol. Não tenho mais forças para subir no alambrado e festejar.
*Como a doença alterou a sua rotina?

JA – Mineiro costuma avaliar uma determinada situação dizendo que “o trem está bom ou ruim”. O trem está ficando feio para o meu lado. Minha vida começou a mudar nos últimos meses. Ando cansado. O tratamento que eu fiz nos Estados Unidos me deu essa canseira. Ando um pouco e já me canso. Outro fato que mudou drasticamente minha rotina foi a colostomia (desvio do intestino para uma saída aberta na lateral da barriga, onde são colocadas bolsas plásticas), herança da última  cirurgia, em julho.
Faço o máximo de esforço para trabalhar normalmente.
O trabalho me dá a sensação de  cumprir com meu dever.
Mas, às vezes, preciso de ajuda. Tenho a minha mulher, Mariza e Jaciara (enfermeira da Presidência da República)
para me auxiliarem com a colostomia. Quando, por algum motivo, elas não podem me acompanhar, recorro a outros dois enfermeiros, Márcio e Dirceu.
Sou atendido por eles no próprio gabinete. Se estou em uma reunião, por exemplo, digo que vou ao banheiro,
chamo um deles e o que tem de ser feito é feito e pronto.
Sem drama nenhum.
*O senhor não passa por momentos de angústia?

JA – Você deveria me perguntar se eu sei o que é angústia. Eu lhe responderia o seguinte: desconheço esse sentimento. Nunca tive isso. Desde pequeno sou assim, e não é a doença que vai mudar isso.
*O agravamento da doença lhe trouxe algum tipo de reflexão?

JA – A doença me ensinou a ser mais humilde. Especialmente, depois da colostomia. A todo momento, peço a Deus para me conceder a graça da humildade.
E Ele tem sido generoso comigo. Eu precisava disso em minha vida. Sempre fui um atrevido. Se não o fosse, não teria construído o que construí e não teria entrado na política.
*É penoso para o senhor praticar a humildade?
JA – Não, porque a humildade se desenvolve naturalmente no sofrimento. Sou obrigado a me adaptar a uma realidade em que dependo de  outras pessoas para executar tarefas básicas. Pouco adianta eu ficar nervoso com determinadas limitações. Uma das lições da humildade foi perceber que existem pessoas muito mais elevadas do que eu, como os profissionais de saúde que cuidam de mim. Isso vale tanto para os médicos Paulo Hoff, Roberto Kalil, Raul Cutait e Miguel Srougi quanto para os enfermeiros e auxiliares de enfermagem anônimos que me assistem. Cheguei à conclusão de que o que eu faço profissionalmente
tem menos importância do que o que eles fazem. Isso porque meu trabalho quase não tem efeito direto
sobre o próximo. Pensando bem, o sofrimento é enriquecedor.
*Essa sua consideração não seria uma forma
de se preparar para a  morte?

JA – Provavelmente, sim. Quando eu era menino, tinha uma professora que repetia a seguinte oração:
“Livrai-nos da morte repentina”.
O que significa isso? Significa que a morte consciente é melhor do que a repentina. Ela nos dá a oportunidade de refletir. 
*O senhor tem medo da morte?
JA – Estou preparado para a morte como nunca estive nos últimos tempos. A morte para mim hoje seria um prêmio.
Tornei-me uma pessoa muito melhor. Isso não significa que tenha desistido de lutar pela vida. A luta é um princípio cristão, inclusive. Vivo dia após dia de forma plena, até porque nem o melhor médico do mundo é capaz de prever o dia da morte de seu paciente. Isso cabe a Deus, exclusivamente.
*Se recebesse a notícia de que foi curado, o que faria primeiro?
JA – Abraçaria minha esposa, Mariza e diria:
“Muito obrigado por ter cuidado tão bem de mim”.


Folha de S. Paulo-Sucesso do Além


Onda de obras ligadas ao espiritismo aumenta procura por centros e ajuda espíritas e simpatizantes a "saírem do armário".



FERNANDA MENA

LAURA MATTOS
DA REPORTAGEM LOCAL
Folha de S.Paulo, 26/4/10

O fenômeno de bilheteria do filme "Chico Xavier" e a onda de produções ligadas ao espiritismo, que têm marcado 2010, estão ajudando espíritas brasileiros a "saírem do armário".
"O discurso de reconhecimento da doutrina e de figuras centrais do espiritismo vai ajudar muita gente a assumir que é espírita", avalia Célia Arribas, socióloga e pesquisadora da USP, autora do livro "Afinal, Espiritismo É Religião?" (Alameda Editorial), com lançamento previsto para maio. "Usando uma linguagem figurativa, é possível dizer que eles vão sair do armário."
Para Geraldo Campetti, diretor da Federação Espírita Brasileira (FEB), a difusão da doutrina realizada pelo filme, já visto por mais de 2 milhões de brasileiros, é um marco. "O espiritismo era um, antes de 2010, e será outro, após o final deste ano", analisa.
"Esse impacto fica visível na crescente demanda por informações que, desde a estreia do filme, tem ocorrido nos centros espíritas de todo o país."
Junte-se ao sucesso do filme a novela "Escrito nas Estrelas", da TV Globo, que teve audiência média, nas duas primeiras semanas, superior à de suas antecessoras no horário. Na trama, o protagonista morre e segue o enredo como espírito.
Além disso, até o final do ano, devem ser lançadas uma minissérie na Globo e três filmes em que a vida após a morte ou a mediunidade tem papel principal. Entre eles, chega aos cinemas em setembro o filme "Nosso Lar", baseado em livro homônimo de Chico Xavier, que já vendeu cerca de 2 milhões de exemplares desde sua primeira edição, em 1944.

Ser ou não ser
O sucesso de obras de temática espírita, no entanto, não pode ser explicado apenas com dados de pesquisas demográficas, que apontam existir no país cerca de 4 milhões de espíritas declarados.
Segundo estimativa da FEB, somados praticantes e simpatizantes, esse número deve chegar a 23 milhões de brasileiros.
Isso porque espiritismo não é uma religião proselitista. Logo, frequentar um centro espírita é diferente de ser espírita.
"Vou a um centro, mas também sou judia", diz Sandra Becher, 30, na saída de uma sessão do filme de Daniel Filho.
Hoje, há cerca de 12 mil centros espíritas no país -número que dobrou na última década.
Ainda assim, Luís Eduardo Girão, 38, produtor associado de "Chico Xavier", conta que o filme enfrentou dificuldades de financiamento "porque ainda existe a discriminação".
Herança dos tempos em que praticar espiritismo era crime, como rezava o primeiro Código Penal do Brasil República, de 1890 -cujos efeitos práticos se estenderam até 1945.
A saída encontrada pela elite brasileira, que traduziu a obra de Allan Kardec do francês para o português, foi a produção de uma literatura que introduzisse princípios espíritas numa linguagem romanceada, de maior penetração. Afinal, quem é que não quer saber como é a vida após a morte?
Foi a popularização da chamada literatura espírita, estandarte das listas de mais vendidos, que abriu caminho para a boa performance do espiritismo no cinema e na TV.
"Este é um mercado que se tornou promissor economicamente", explica Sandra Stoll, autora do livro "Espiritismo à Brasileira" (Edusp). "As produções cinematográficas têm apenas capitalizado um público simpatizante e predisposto, que é enorme."


HTML hit counter - Quick-counter.net