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Renovando atitudes - Hammed

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Renovando atitudes de Hammed,
médium Francisco do Espírito S. Neto
 
renovando atitudes
 
 
Renovando atitudes
 
Recolhemos trechos de algumas mensagens de “O Evangelho Segundo o
Espiritismo”, para tecer alguns comentários aos leitores amigos, na esperança
de que possam renovar suas atitudes sob a inspiração de Jesus Cristo.
Estudar e refletir sobre a profunda sabedoria do Mestre, emérito
conhecedor da psique humana, a qual Ele sabia ser a fonte das causas reais
dos sofrimentos, nos torna mais francos e honestos com nós mesmos e com os
outros e nos possibilita a extinção de nossas reações neuróticas nas múltiplas
situações da vida, reações essas que nos impedem o autoconhecimento e
anulam toda e qualquer possibilidade de relacionamento sadio e sincero com
os outros.
 
O Mestre sabia das nossas dificuldades de perceber a realidade, dos
esconderijos psicológicos que edificamos como métodos de defesa e dos
inúmeros papéis e jogos que cultivamos inconscientemente para não assumir
responsabilidades ou para camuflar nossas diversas predisposições.
O Evangelho à luz da obra de Kardec retém um enorme manancial para
edificarmos nossos valores morais na renovação de nossas atitudes e para
redescobrirmos nossas verdadeiras potencialidades, que herdamos da
Paternidade Divina. As armadilhas do ego, as presunções da ilusão, as
dependências e inseguranças, as falsas vocações ou as reais tendências
podem ser identificadas com clareza se examinarmos com atenção nossos
limites, fazendo auto-observação da vida em nós e fora de nós mesmos.
Ao apresentarmos estas páginas aos leitores amigos, não temos a
pretensão de impor regras ou determinar caminhos, nem mesmo regulamentar
quais são as melhores atitudes a serem tomadas.
 
Por termos plena consciência da imensa diversidade dos níveis de
amadurecimento dos seres humanos, regidos como todos estamos pela “Lei
das Vidas Sucessivas”, compreendemos que cada ser está num determinado
estágio evolutivo e, portanto, fazendo tudo o que lhe é possível fazer no
momento, ou seja, conduzindo-se no agora com o melhor de si mesmo.
Tomemos a Natureza como exemplo: entendemos que passaríamos por
incoerentes se censurássemos um botão de rosa ainda fechado por não estar já
totalmente desenvolvido ou aberto; ou se recriminássemos uma roseira por não
ter dado a mesma quantidade de botões do que a roseira plantada a seu lado e
cultivada no mesmo canteiro. Na realidade, afirmar aos outros quais atitudes
eles deveriam ter é desrespeitar sua natureza íntima, ou seja, seu próprio grau
de crescimento espiritual.
 
O conteúdo deste livro tem a intenção de contribuir para que todos nós
possamos reflexionar sobre o porquê das atitudes humanas, a fim de poder
entendê-las em seus diversos matizes comportamentais e, como
consequência, melhorar a nós próprios, reconstruindo-nos ou transformando-nos
interiormente, para que o Reino dos Céus se edifique dentro de nós
mesmos.
Não podemos assegurar que nestas páginas vocês encontrarão sempre
interpretações novas e inéditas, pois sabemos que existem excelentes obras
amplamente habilitadas a dar grande contribuição, da mesma forma que outros
tantos companheiros poderão suprir nossa dificuldade de expressão, com
maior competência e destreza.
 
Como nosso livro trata de nossas interpretações pessoais, gostaríamos
que os leitores se dessem conta de que talvez a maior dificuldade que
enfrentamos para entender novas ideias seja a tendência que temos de
retomá-las ou tentar explicá-las utilizando nossa maneira habitual de ver e
sentir, e retraduzindo tudo em linguagem coloquial e convencional.
Finalizando, agradecemos a atenção para conosco e endereçamos
nosso livro, como uma singela contribuição, a todos aqueles que sinceramente
buscam o caminho do autodescobrimento, tendo Jesus Cristo não só como
Terapeuta do corpo e da mente, mas também como Modelo e Preceptor de
almas.
Catanduva, 4 de julho de 1997.
Hammed
 
 Vamos as lições:
 
 
 
“Perguntais se é permitido abrandar as vossas próprias provas: essa
questão leva a esta: é permitido àquele que se afoga procurar se salvar?
Àquele que tem um espinho cravado, de o retirar?...”
“... contentai-vos com as provas que Deus nos envia, e não aumenteis
sua carga, às vezes tão pesada...”
(Capítulo 5, item 26.)

Sofremos porque ainda não aprendemos a amar; afinal, a lei divina nos
incentiva ao amor, como sendo a única forma capaz de promover o nosso
crescimento espiritual.
Os métodos reais da evolução só acontecem em nós quando entramos no
fluxo educativo do amor. Sofrer por sofrer não tem significado algum, pois a dor
tem como função resgatar as almas para as faixas nobres da vida, por onde
transitam os que amam em plenitude.
Temos acumulado inúmeras experiências nas névoas dos séculos, em
estâncias onde nossas almas estagiaram, e aprendido invariavelmente que só
repararíamos nossos desacertos e equívocos perante a vida através do
binômio “dor-castigo”.

Nas tradições da mitologia pagã, aprendemos com os deuses toda uma
postura marcada pela dor. A princípio, os duelos de Osíris, Sete Hórus, do
Antigo Egito. Mais além, assimilamos “formas-pensamentos” das desavenças e
vinganças entre Netuno e Júpiter no Olimpo, a morada dos deuses da Grécia.
Por outro lado, não foi somente entre as religiões idólatras que
incorporamos essas formas de convicção, mas também nos conceitos do Velho
Testamento, onde exercitamos toda uma forma de pensar, na exaltação da dor
como um dos processos divinos para punir todos aqueles que se encontravam
em falta.
A palavra “talião” significa “tal”, do latim “talis”, definida como a “Lei de
Talião”, ou seja, “Olho por olho, dente por dente”. (1) Significa que as criaturas
deveriam ter como castigo a dor, “tal qual” fizeram os outros sentir.
Constatamos, assim, a ideia de que se tinha do poder divino era caracterizada
por atributos profundamente punitivos.

Já afirmava: “e Deus na sua ira lhes repartirá as dores”; (2) o Gênesis,
em se referindo aos castigos da mulher: “multiplicarei os teus trabalhos e em
meio da dor darás à luz a filhos”. (3) São algumas dentre muitas assertivas que
nos levaram a formar crenças profundas de que somente o sofrimento era
capaz de sublimar as almas, ou reparar negligências, abusos e crimes.
No “Sermão do Monte”, Jesus Cristo se refere à Lei de Talião
revogando-a completamente: “Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por
dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se alguém te bater
na face direita, apresenta-lhe também a outra”. (4)

Longa foi a estiagem dos métodos conetivos pela dor, contudo o Mestre
instalou na Terra o processo da educação pelo amor.
Apesar de Jesus ter invalidado a lei do “tal crime, tal castigo”, ela ainda
prevalece para todos os seres humanos que não encontraram no amor uma
forma de “viver” e pensar.

Realmente, durante muito tempo, a dor terá função dentro dos
imperativos da vida, estimulando as pessoas às mudanças e às renovações,
por não aceitarem que o amor muda e renova e, portanto, utiliza-se dos “cilícios
mentais”, como meios de suplícios e tormentos, para se autopunirem, pondo
assim em prática toda sua ideologia de “exaltação à falta-punição”.
Crenças não são simplesmente credos, máximas ou estímulos
religiosos, mas também princípios orientadores de fé e de ideias, que nos
proporcionam direção na vida. São verdadeiras forças que poderão limitar ou
ampliar a criação do bem em nossa existência.

Mudar para o amor como método de crescimento, reformulando ideias e
reestruturando os valores antigos é sairmos da posição de vítimas, mártires ou
pobres coitados, facilitando a sintonização com as correntes sutis e amoráveis
dos espíritos nobres que subiram na escala do Universo, amando.
Podemos, sim, “sutilizar” nossas energias cármicas, amando, ou
“desgastá-las” penosamente, se continuarmos a reafirmar nossas crenças
punitivas do passado.
Reforçar o “espinho cravado” ou não retirá-lo é opção nossa.
Lembremo-nos, porém, de que ideias arraigadas e adotadas seriamente por
nós tendem a motivar-lhes a própria concretização.
(1) Êxodo 21:24.
(2) Jó 21:17.
(3) Gênesis 3:16.
(4) Mateus 5:38 e 39.
 

20 Preceptor de almas


“Mas o papel de Jesus não foi simplesmente o de um legislador
moralista, sem outra autoridade que a sua palavra; ele veio cumprir as
profecias que haviam anunciado sua vinda; sua autoridade decorria da
natureza excepcional de seu Espírito e de sua missão divina...”
(Capítulo 1, item 4.)


Ele andou pelos caminhos terrenos desprovido de qualquer apego,
consideração ou aplausos.
Ensinou a excelência da mensagem do amor em sua grandeza superlativa
e, ao mesmo tempo, percorreu os caminhos, desacompanhado de seus pais ou
parentes, solicitando, todavia, a presença espontânea de amigos amorosos
que lhes absorveram as lições inesquecíveis.
Não tinha sequer onde reclinar a cabeça, despojado de qualquer bem
material; nunca tomava decisões precipitadas em face de atitudes positivas ou
negativas que aconteciam em seu redor, mas sempre reflexionava com sua
estrutura divina, pois tinha plena consciência de sua missão terrena em favor
da educação de uma humanidade ignorante e sofredora.
Ele afirmava que todos deveriam ser vistos como irmãos ou amigos,
porque sabia que em potencial poderiam vir a ser pais, filhos, cônjuges ou
irmãos, visto que é da lei universal a reencarnação e a caminhada a um só
rebanho e a um só Pastor.


Independente de tudo e de todos, conhecia a estrada a ser percorrida, pois
estava seguro em Si mesmo; dessa forma, fez sua trajetória livre de
convenções e padrões preestabelecidos, não aceitando preconceitos de
qualquer matiz, porqüanto sabia transitar com grandeza e dignidade pelos
caminhos do mundo. Criatura magnífica, retinha na mente poderes que lhe per­
mitiam manipular desde a intimidade da matéria até as essências mais sutis da
alma humana.
Homem generoso, sempre voltado à Natureza, com a qual se integrava
em plenitude.
Amava os lírios dos campos, os pássaros dos céus, os montes
arborizados, as brisas da manhã, as águas dos lagos, os trigais, e a própria
natureza divina que existe em tudo e em todos.
Ele exemplificou as belezas naturais terrenas, comparando-as com o
Reino dos Céus, fazendo dessa forma um elo divino, isto é, uma ligação de
amor entre os Céus e a Terra.


Ensinou-nos a respeitar inicialmente as coisas da Terra, para que
pudéssemos, então, amar as coisas da Vida Maior.
Aparentemente fracassado na cruz, mostrou-nos logo após que venceu
o mundo em todos os aspectos.
Jesus podia “ver” com absoluta facilidade por trás das cortinas do teatro
da vida humana e tinha a nítida percepção das intenções mais secretas.
Os seres humanos, para Jesus, eram verdadeiros “livros abertos”: seu
olhar penetrava o âmago das almas, onde conseguia alcançar seus pontos
fracos.
Não sufocava com a força de sua personalidade aqueles que O
procuravam; ao contrário, afirmava: ‘Tudo depende de ti”, ou mesmo, “Atua fé
te curou”. Em outras ocasiões, aconselhava-os:
“Vai e não peques mais”, convidando-os para uma vida autêntica e
oferecendo apoio e incentivo para construírem a “Casa sobre a rocha”.
Foi Mestre por excelência, porque se manteve longe dos excessos nos
relacionamentos: do excesso de “convites”, que promove desmedido
envolvimento pessoal, dificultando a ajuda real, e do excesso de “indiferença”,
que provoca falta de compaixão e posicionamento frio.


Preceptor das Almas, levou-nos à reflexão íntima, ou melhor, à
interiorização de nós mesmos, quando assegurou: “Eu estou no Pai e o Pai
está em mim”, (1) formalizando assim a necessidade do nosso
autoconhecimento como base vital para alcançarmos o Reino do Céus.
Sigamos Jesus, Ele é a Luz do Mundo, o Sol Fulgurante que aquece as
almas do frio interior, da desilusão e da desesperança.
Busquemos Jesus agora e sempre, porque só assim estaremos
caminhando ao encontro da paz tão almejada.
(1) João 14:11.
 

 

19
Grão de mostarda

“... Jesus lhes respondeu: É por causa da vossa incredulidade.
Porque eu vô-lo digo em verdade: se tivésseis fé como um grão de
mostarda, diríeis a esta montanha: transporta-te daqui para ali, e ela se
transportaria, e nada vos seria impossível.”
(Capítulo 19, item 1.)


Fé é sentimento instintivo que nasce com o espírito. Crença inata, impulso
íntimo fundamentado na “certeza absoluta” de que o Poder Divino, em toda e
qualquer situação, está sempre promovendo e ampliando nosso crescimento
pessoal.
Essa convicção inabalável na “Sabedoria Divina”, que é a própria
Inteligência que rege a tudo e a todos, atinge sua plenitude nas criaturas mais
evoluídas. Tais valores se encontravam inicialmente em estado embrionário e,
ao longo das encarnações sucessivas, estruturaram-se entre as experiências
do sentimento e do raciocínio.
Como em todas as manifestações de progresso, também esse impulso
intuitivo do ser humano ligado às faixas da fé é resultado de um
desenvolvimento lento e progressivo.
Por exemplo, a criança não pode manifestar a habilidade de falar, sem ter
atravessado as fases básicas da fonética, isto é, resmungar, balbuciar, soletrar
e silabar.


Desse modo, o ser imaturo, apesar de criado com esse sentimento
instintivo da fé, também atravessa um vasto período de desenvolvimento, que
não se dá por mudanças abruptas, mas por uma série de sensações e
percepções, às vezes mais ou menos demoradas, conforme a vontade e a
determinação do próprio espírito.
Consequentemente, a fé plena não é só conquista repentina que
aparece quando queremos; é também trabalho desenvolvido e assimilado ao
longo do tempo.
Ela pulsa em todas as criaturas vivas e agita-se nas menores criações
do Universo.
Encontra-se na renovação do mineral rompido, que se restaura a si
mesmo; aparece no fototropismo das plantas em crescimento; impulsiona o
“relógio interno”, que incita as aves a efetuar suas migrações, quase na mesma
época em todos os anos; aguça o “regresso ao lar”, ou seja, estrutura a
capacidade de orientação e localização observada em certos animais domésti­cos.


A fé também estimula o homem selvagem a nutrir a crença na existência
de um ser supremo, que eles adoram nos fenômenos e elementos da
Natureza.
Entendemos, dessa forma, que a fé não equivale a uma “muleta
vantajosa” que nos ajuda somente em nossas etapas difíceis, nem
“providências de última hora” para alcançarmos nossos caprichos imediatistas.
Ter fé é auscultar e perceber as “verdadeiras intenções” da ação divina em nós
e, acima de tudo, é o discernimento de que tudo está absolutamente certo.
Nada está errado conosco, pois o que chamamos de “imperfeição” no
mundo são apenas as lições não aprendidas ou não entendidas, que precisam
ser recapituladas, a fim de que possamos nos conhecer melhor, assim como as
leis que regem nossa existência.


Ter fé em Deus é reconhecer que a Natureza, “Arte Divina”, garante
nossa própria evolução. Mesmo quando tudo pareça ruir em nossa volta, é
ainda a fé amplamente desenvolvida que nos dará a certeza de que, mesmo
assim, estaremos sempre ganhando, ainda que momentaneamente não
possamos decifrar o ganho com clareza e nitidez.
No Universo nada existe que não tenha sua razão de ser. Tudo aquilo
que parece desastroso e negativo em nossa existência, nada mais é que a vida
articulando caminhos, para que possamos chegar onde estão nossos reais
anseios de progresso, felicidade e prazer.
A criatura que aprendeu a ver o encadear dos fatos de sua vida, além de
cooperar e fluir com ela, percebe que aquilo que lhe parecia negativo era
apenas um “caminho preparatório” para alcançar posteriormente um Bem Maior
e definitivo para si mesma.
As grandes tragédias não significam castigos e punições, porém maiores
possibilidades futuras para a obtenção de uma melhoria de vida íntima e,
paralelamente, de plenitude existencial.
Em face dessas realidades, a fé aperfeiçoada faz com que possamos
avaliar em todas as ocorrências uma constante renovação enriquecedora.
Quando todas as árvores estão despidas, é que se inicia um novo ciclo em que
elas reúnem suas forças embrionárias e instintivas da fé para novamente se
vestir de folhas, flores e frutos.


Tudo na Natureza obedece a “ritmos”. São processos da vida em ação.
No final de um ciclo, nossa energia declina para, logo em seguida, reunirmos
mais forças para uma nova incursão renovadora.
A cada nova etapa de crescimento, talvez nos sintamos temerosos e
inseguros, a exemplo de certos animais que perdem momentaneamente seus
revestimentos protetores. Depois, no entanto, nos sentiremos melhor
adaptados, ao nos cobrirmos com elementos e estruturas mais eficientes, e
que nos permitam prosseguir mais ajustados em nosso novo estágio evolutivo.
Assim acontece com todos. Seremos atingidos por um “sereno bem-estar”
quando visualizarmos antecipadamente as porvindouras oportunidades de
reconforto, prosperidade e segurança que a vida nos trará após atravessarmos
os “ciclos amargos” do renascimento interior.
A confiança em que tudo está justo e certo e em que não há nada a
fazer, a não ser melhorar o nosso próprio modo de ver e entender as coisas,
alicerça-se nas palavras de Jesus: “até os fios de cabelo da nossa cabeça
estão todos contados”(1). É a convicção perfeitamente ajustada a uma
compreensão ilimitada dos desígnios infalíveis e corretos da Providência
Divina.
Em muitas ocasiões, somente usando os recursos interpretativos da fé,
nos grandes choques e tragédias, é que podemos notar o “processo de
atualização” que a vida nos oferece, porquanto o significado de um
acontecimento é captado em plenitude apenas quando “decifrado”.
É o único caminho que nos permitirá encontrar a verdadeira
compreensão e entendimento dos fatos em si.
Entretanto, quando não traduzimos no decorrer dos acontecimentos
nossos episódios existenciais, sentimos que nossa vida vai-se tornando
inexpressiva, sem nenhum sentido, porque vamos perdendo contato com as
mensagens silenciosas e sábias que a vida nos endereça.


Aqui estão algumas interpretações de fatos aparentemente negativos,
quando na realidade são profundamente positivos:
— Para vencermos a doença é necessário interpretar o que o sintoma
quer-nos alertar sobre o que precisamos fazer ou mudar para harmonizar
nosso psiquismo descontrolado.
— Sucessivos acontecimentos de “abandono” e “decepção” em nossa
vida são mensagens silenciosas alertando-nos que nosso “grau de ilusão”
ultrapassou os limites permitidos.
— Perda de criaturas queridas pode ser a lição que nos vai livrar de
atitudes possessivas e de apegos patológicos, tanto para quem parte como
para quem fica.
— Alucinação e loucura podem nos adestrar para maiores valorizações
da realidade, afastando-nos de fantasias e aparências.
— Vícios de qualquer matiz podem estabelecer nos indivíduos normas
corretivas na vida interior, a fim de que aprendam a lidar e a controlar melhor
suas emoções e sentimentos.
— Traição afetiva pode nos exercitar na fiscalização de nosso “grau de
confiabilidade” e “vulnerabilidade” perante os outros.
— Desprezo ou desconsideração podem ser emissões educativas,
impulsionando-nos a um maior amor a nós próprios.
O ser humano de fé não é crédulo nem fanático; é antes o indivíduo que
distingue os lucros e vantagens inseridos nos processos da vida. Compreende
a sequência de fatos interconectados aprimorando-se paulatinamente para
intensificar sua estabilidade e harmonia e, como consequência, seu
engrandecimento espiritual.


Em síntese, a fé como força instintiva da alma guarda em si
possibilidades transcendentes e poderes infinitos. Ao ampliá-la, o homem se
potencializa vigorosamente, fluindo e contribuindo com o próprio ritmo da vida
como um todo.
O “grão de mostarda”, na comparação de Jesus Cristo, representa a
minúscula semente como sendo o “impulso imanente” que começa a se formar
no “princípio inteligente”, nos primeiros degraus dos reinos da Natureza. Ao
longo dos tempos, se transmuta, desenvolvendo potencialidades inatas, e,
futuramente, se transforma num ser completo e de ações poderosas.
Devemos compreender, por fim, que o “poder da fé” realmente
“transporta montanhas” e que para o espírito nada é inacessível, pois, quando
percebe a razão de tudo e interpreta com exatidão a sabedoria de Deus, a vida
para ele não tem fronteiras.
Ao ampliarmos nossa consciência na fé, sentiremos uma inefável
serenidade íntima, porque conseguimos entender perfeitamente que, no
Universo, tudo está “como deve ser”; não existe atraso nem erro, somente a
manutenção e a segurança do “Poder Divino” garantindo a estabilidade e o
aperfeiçoamento de suas criaturas e criações.
(1)Lucas 12:7

 

 
 
“... Tendo-o visto, lhe disse: Zaqueu, apressai-vos em descer, porque
é preciso que eu me aloje hoje em vossa casa. Zaqueu desceu logo e o
recebeu com alegria. Vendo isso, todos murmuraram dizendo: Ele foi
alojar-se na casa de um homem de má vida...”
(Capítulo 16, item 4 do Evangelho segundo o Espiritismo)
 
Diz-se que um indivíduo atingiu um bom nível ético quando pensa por si
mesmo em termos gerais e críticos; quando dirige sua conduta conforme julgar
correto, demonstrando assim independência interior; quando é autônomo para
definir o bem e o mal, sem seguir fórmulas sociais; e, por fim, quando não é
escravo das suas crenças inconscientes, porque faz constante exercício de
autoconhecimento.
Por nosso quadro de valores ter sido adquirido de forma não vivencial é
que nosso mundo íntimo está repleto de preconceitos e nosso nível ético
encontra-se distante da realidade.
Ter preconceitos é, pois, assimilar as coisas com julgamento
preestabelecido, fundamentado na opinião dos outros. Os preconceitos são as
raízes de nossa infelicidade e sofrimento neurótico, pois deterioram nossa
visão da vida como uma lasca que inflama a área de nosso corpo em que se
aloja.
Aceitamos esses valores dos adultos com quem convivemos, de uma
maneira e forma tão sutis que nem percebemos. Basta a criança observar um
comentário sobre a sexualidade de alguém, ou a religião professada pelos
vizinhos, para assimilar idéias e normas vivenciadas pelo adulto que promove a
crítica. De maneira distorcida, baseia-se no julgamento de outrem, quando é
válido somente o autojulgamento, apoiado sempre na análise dos fatos como
realmente eles são.
Qual seria então tua visão atual a respeito do sexo, religião, raça,
velhice, nação, política e outras tantas? Seriam formadas unicamente sem a
influência dos outros? Será que tua forma de ver a tudo e a todos não estaria
repleta de obstáculos formados pelos teus conceitos preestabelecidos?
Por não estares atento ao processo da vida em ti, é que precisas do
juízo dos outros, tornando-te assim dependente e incapacitado diante de tuas
condutas.
Jesus de Nazaré demonstrou ser plenamente imune a qualquer
influência alheia quanto a seus sentimentos e sentidos de vida, revelando isso
em várias ocorrências de seu messiado terreno.
Ao visitar a casa de Zaqueu, não deu a mínima importância aos
murmúrios maldizentes das criaturas de estrutura psicológica infantil, pois sabia
caminhar discernindo por si mesmo.
Toda alma superior tem um sistema de valores não baseado em regras
rígidas; avalia os indivíduos, atos e atitudes com seu senso interior,
sentimentos, emoções e percepções intuitivas, tendo assim apreciações e
comportamentos peculiares. Para ela, cada situação é sempre nova e cada
pessoa é sempre um mundo à parte.
Em verdade, Cristo veio para os doentes que têm a coragem de
reconhecer-se como tais, não porém para os sãos, ou para aqueles que se
mascaram. Zaqueu, vencendo os próprios conceitos inadequados de chefe dos
publicanos, derrubou as barreiras do personalismo elitista e rendeu-se à
mensagem da Boa Nova.
Despojou-se do velho mundo que detinha na estrutura de sua
personalidade e renovou-se com conceitos de vida imortal, aceitando-se como
necessitado dos bens espirituais. Disse Jesus:
“O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”. (1)
Ao dizer isso, o Mestre se referia ao antigo mandamento de Moisés, que
impedia toda e qualquer atividade aos sábados, e que Ele, por sabedoria e por
ser desprovido de qualquer preconceito, entendia a serventia dessa lei para
determinada época, porém queria agora mostrar aos homens que “as
experiências passadas são válidas, mas precisam ser adequadas às nossas
necessidades da realidade presente”.
Nossos preconceitos são entraves ao nosso progresso espiritual.
(1)Marcos 2:27.

 

17 Simplesmente um sentido

“... Admira-se, por vezes, que a mediunidade seja concedida a
pessoas indignas e capazes de fazer mau uso dela...”
“... a mediunidade se prende a uma disposição orgânica da qual todo
homem pode estar dotado, como a de ver, de ouvir, de falar...”
(Capítulo 24, item 12.)
 
 
Mediunidade é uma percepção mental por meio da qual a alma sutiliza,
estimula e aguça seus sentidos, a fim de penetrar na essência das coisas e das
pessoas. E uma das formas que possuímos para sentir a vida, é o “poder de
sensibilização” para ver e ouvir melhor a excelência da criação divina.
Faculdade comum a todos, é nosso sexto sentido, ou seja, o sentido que
capta, interpreta, organiza, percebe e sintetiza os outros cinco sentidos
conhecidos.
Nossa humanidade, à medida que aprende a desenvolver suas
impressões sensoriais básicas, automaticamente desenvolve também a
mediunidade, como conseqüência. Também conhecida como intuição ou
inspiração, é ela que define nossa interação com o mundo físico-espiritual.
 
As reflexões direcionadas para as áreas morais e intelectuais são muito
importantes, pois abrem contatos como “perceber” ou com o “captar”, o que
nos permite ouvir amplamente as “sonoridades espirituais” que existem nas
faixas etéreas, das diversas dimensões invisíveis do Universo.
Por outro lado, a mediunidade nunca deverá ser vista como “láurea” ou
“corretivo”, mas unicamente como “receptor sensório” - produto do processo de
desenvolvimento da natureza humana.
 Foram imensos os tempos da ignorância, em que a ela atribuíam o
epíteto de “dádiva dos deuses” ou “barganha demoníaca”; na atualidade,
porém, está cada vez mais sendo vista com maior naturalidade, como um
fenômeno espontâneo ligado a predisposições orgânicas dos indivíduos.
 
Ver, todos nós vemos, a não ser que tenhamos obstrução dos órgãos
visuais; já as formas de ver são peculiares a cada sensitivo. Escutar é
fenômeno comum; no entanto, a capacidade de ouvir além das aparências das
coisas e das palavras articuladas é fator de lucidez para quem já desenvolveu
o “auscultar” das profundezas do espírito.
Além do mais, a facilidade de comunicação com outras dimensões
espirituais não é dada somente aos chamados “agraciados” ou “dignos”,
 
conforme nossa estreita maneira de ver. Como a Natureza Divina tem uma
visão igualitária, concedendo a seus filhos, sem distinção, as mesmas
oportunidades de progresso, é autêntica a sábia assertiva: “Deus não quer a
morte do ímpio”, (1) mas que ele cresça e amadureça dispondo da
multiplicidade das faculdades comuns a todos, herança divina do Criador para
suas criaturas.
 
Por isso, encontramo-la nos mais diferentes patamares evolutivos, das
classes sociais e intelectivas mais diferenciadas até as mais variadas
nacionalidades e credos religiosos. Embora com denominações diferentes, a
mediunidade sempre esteve presente entre as criaturas humanas desde a mais
remota primitividade.
 A propósito, não precisamos ter a preocupação de “desenvolver
mediunidade”, porque ela, por si só, se desenvolverá. É imprescindível,
entretanto, aperfeiçoá-la e esmerá-la quando ela se manifestar
espontaneamente. Nunca forçá-la a “acontecer”, porque, ao invés de
deixarmos transcorrer o processo natural, nós iremos simplesmente “fazer
força”, ou melhor, “agir improdutivamente”.
 
Em vista disso, treinamentos desgastantes para despertar em nós “dons
naturais” é incoerente. Saber esperar o amadurecimento dos órgãos infantis é
o que nos possibilitou ver, falar, andar, ouvir, sentir, saborear ou preferir. Por
que então a mediunidade, considerada uma aptidão ontogenética do organismo
humano, necessitaria de tantas implicações e imposições para atingir a
 plenitude?
 
Aprofundando nossas apreciações neste estudo, encontramos, no “dia
de Pentecostes”, (2) uma das maiores afirmações de que são espontâneas as
manifestações mediúnicas e de que é natural seu despertar junto aos homens,
quando foram desenvolvidas repentinamente as possibilidades psicofônicas
dos apóstolos ao pousar “línguas de fogo”, isto é, “mentes iluminadas” sobre
suas cabeças, sem que eles esperassem ou invocassem o fenômeno.
A sensibilização progressiva da humanidade é uma realidade. Ela se
 processa, nos tempos atuais, de maneira indiscutível, pois, em verdade, “o
 Espírito é derramado sobre toda a carne”, (3) tomando os efeitos espirituais
cada vez mais eloqüentes, incontestáveis e generalizados.
(1) Ezequiel 33:11.
 (2) Atos 2:1 ao 8.
(3)Atos 2:17

 

 

 

 

 
Capítulo 17, item 11
 
“... Amai, pois, vossa alma, mas cuidai também do corpo, instrumento
da alma; desconhecer as necessidades que são indicadas pela própria
Natureza é desconhecer a lei de Deus. Não o castigueis pelas faltas que o
vosso livre-arbítrio fê-lo cometer, e das quais ele é tão irresponsável
como o é o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa...”
 
 
Ele se densificou moldado por nossos pensamentos, obras e crenças mais
íntimas.
Extensão da própria alma, ele é a parte materializada de nós mesmos e
que nos serve de conexão com a vida terrena.
Há quem o despreze, dizendo que todas as tentações e desastres morais
provêm de suas estruturas intrínsecas, e o culpe pelas quedas de ordem
sexual e pelos transtornos afetivos, esquecendo-se de que ele apenas
expressa a nossa vida mental.
Foi considerado, particularmente na Idade Média, como o próprio
instrumento do demônio, que impunha à alma, nele encarcerada, o
cometimento dos maiores desatinos e desastres morais.
Se cuidado e bem tratado, era isto atribuído aos vaidosos e
concupiscentes; se macerado e flagelado, era motivo de regozijo dos tementes
a Deus e cultivadores da candidatura ao reino dos céus. Essas crenças
neuróticas do passado afiançavam que, quanto maiores as cinzas que o
cobrissem e quanto mais agudas as dores que o afligissem, mais alto o espírito
se sublimaria, alcançando assim os píncaros da evolução.
Porém, não é propriamente nosso corpo o responsável pelas intenções,
emoções e sentimentos que ressoam em nossos atos e atitudes, mas nós
mesmos, almas em processo de aprendizagem e educação.
Nossos pensamentos determinam nossa vida e, conseqüentemente, são
eles que modelam nosso corpo. Portanto, somos nós, fisicamente, o produto do
nosso eu espiritual.
A crença em anjos rebeldes destinados eternamente a induzir as almas a
pecar, tira-nos a responsabilidade pelas próprias ações, e ficamos
temporariamente na ilusão de que os outros é que comandam nossos feitos,
atuações e inclinações, e não nós mesmos, os verdadeiros dirigentes de nosso
destino.
Corpo e alma unidos a serviço da evolução, eis o que determina a
Natureza.
Nosso físico não é apenas um veículo usável, mas também a parte mais
densa da alma. Não o separemos, pois, de nós mesmos, porque, apesar de
sua matéria ficar na Terra no processo da morte física, é nele que avaliamos as
sensações do abraço de mãe, do ósculo afetivo e das mãos carinhosas dos
amigos. Através dele éque podemos identificar angústias e aflições, que são
bússolas a nos indicar que, ou quando, devemos mudar nossa maneira de agir
e pensar, para que possamos percorrer caminhos mais adequados do que os
que vivemos no momento.
A lei divina não nos pede sofrimento para que cresçamos e evoluamos;
pede-nos somente que amemos cada vez mais. Cuidemos, pois, de nosso
corpo e o aceitemos plenamente. Ele é o instrumento divino que Deus nos
concede para que possamos aprender e amar cada vez mais.

 

 
“... A obediência e a resignação, duas virtudes companheiras da
doçura, muito ativas, embora os homens as confundam erradamente com
a negação do sentimento e da vontade. A obediência é o consentimento
da razão, a resignação é o consentimento do coração...”
(Capítulo 9, item 8.)
 
A subserviência pode esconder falta de iniciativa, passividade indesejável,
complexo de inferioridade e uma imaturidade de personalidade.
Obedecer não é negar a vontade e o sentimento, mas exercitar o próprio
poder de escolha para cooperar com os outros na produção de algo maior e
melhor do que aquilo que se faria sozinho.
Assim considerando, a obediência deve ser uma postura interna, racional,
lógica, compreensiva e a mais consciente possível.
Os problemas do servilismo ou da subserviência nas criaturas foram
gerados em muitas circunstâncias na infância, quando pais instigavam o medo
e a ameaça como forma de obter obediência dos filhos. Trata-se de um
propósito cômodo e muito rápido, mas contra-indicado na complexa tarefa de
educar.
 
Adultos que herdaram tal formação familiar, se não forem espíritos
maduros e decididos, com farta bagagem espiritual e valores desenvolvidos,
poderão viver com essa “intrusão educacional”.
Esse modo forçado de obedecer aos outros desenvolve neles uma postura
de anulação das próprias metas, pois substitui sua independência pela vontade
alheia.
Outros tantos trazem das vivências anteriores sentimentos de culpa por
abandonarem sem nenhuma consideração entes queridos. São verdadeiros
“clichês mentais” arquivados no inconsciente profundo, que detonam em forma
de obediência e servidão compulsória, para compensar o passado infeliz.
A Psicologia, por seu turno, assevera que certos indivíduos
desequilibrados por conflitos herdados na infância trazem enraizados em sua
personalidade uma necessidade enorme de satisfazer seus “sentimentos de
mando” e “de autoridade”, sempre impondo ordens, métodos e regras que,
obedecidos passivamente, lhes trazem um enorme prazer e satisfação.
Essas pessoas ao entrarem em contato com personalidades submissas,
compensarão sua neurose de “dar ordens”, e em muitos casos, somam ao seu
impulso agressivo a “neurose de autoridade”, satisfazendo assim suas
características sádicas, dominando e afligindo essas criaturas servis, por anos
e anos.
 
O ser humano que se sujeita a ordens de comando vive constantemente
numa confusão mental, absorvendo na atmosfera íntima uma sensação de
“não ter agradado o suficiente”. Numa tentativa inútil de cumprir e concordar
com ordens recebidas, cai quase sempre na decepção, na revolta e na
indignação, pois esperava receber amor e consideração pela obediência
executada.
Muitos de nós tivemos pais que nunca se importaram em nos “impor
limites”, fatores indispensáveis para que a criança aprenda a conhecer o “não”,
evitando a ilusão de que terá tudo a seu dispor e que jamais encontrará
obstáculos e dificuldades.
 
Viver querendo ter sempre nossos desejos realizados e executados é
“exigir obediência”, a qualquer preço, daqueles que nos cercam.
Paralelamente, com o passar do tempo, essa postura pode se tornar
inversa. Ao invés de exigirmos sujeição de todos os nossos pontos de vista,
passamos a “nunca dizer não”, sempre tentando satisfazer os outros, sempre
dizendo “sim”, ainda que precisemos ir às últimas consequências.
Por outro lado, uma pessoa que “nunca diz não” só pode ser
“desonesta”, porque diz que “faz” e “dá” muito mais do que “tem” e “pode”,
expondo-se sempre ao risco de ser tachada de hipócrita e, além de tudo, de
não realizar sua própria missão na Terra, porque se arvorou em correr atrás
das realizações dos outros.
 
“A obediência é o consentimento da razão”. Quem consente alguma
coisa permite que se faça ou não, conforme achar conveniente à sua maneira
de agir e pensar. “A resignação é o consentimento do coração”, ou melhor, os
sentimentos falarão mais alto e a criatura abdicará o seu direito em favor de
alguém, ou de uma causa, por livre e espontânea vontade, já que o direito era
de sua competência.
Efetivamente, a obediência e a resignação, virtudes às quais Jesus de
Nazaré se referia, não são aquelas que “os homens as confundem
erradamente com a negação do sentimento e da vontade”, conforme bem
define o espírito Lázaro no texto em reflexão.
Lembremo-nos, portanto, de que servir nem sempre será considerado
virtude, visto que essa postura de nossa parte pode simplesmente estar
camuflando uma obrigação compulsiva de agradar a todos, bem como pode
estar desviando-nos de nossa real missão na Terra, que é crescer e
amadurecer espiritualmente.
 
 
 
 
 “Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de
expiação e os mundos felizes, a alma que se arrepende neles encontra
a calma e o repouso, acabando de se depurar. Sem dúvida, nesses mundos,
o homem está ainda sujeito às leis que regem a matéria...”
(Capítulo 3, item 17.)
 
Regenerados são todos aqueles que aprenderam a compartilhar deste mundo,
contribuindo sempre para a sua manutenção e continuação, e que ao mesmo
tempo, por perceberem que recebem à medida que doam, sustentam com êxito
esse fenômeno de trocas incessantes. São os homens que descobriram que
todos estamos ligados por inúmeras formas de vida, desde o micro ao macrocosmo,
e que os ciclos da natureza é que vitalizam igualmente plantas, animais e eles próprios.
Portanto, respeitam, cooperam e produzem, não pensando somente em si mesmos,
mas na coletividade.
 
Sabem que ao mesmo tempo, sozinhos ou juntos, somos todos viajantes nas
estradas da  vida universal, em busca de crescimento e perfeição.
Voltaram-se para si mesmos e descortinaram a presença divina em sua intimidade e,
em  vista disso, agora não buscam somente a exterioridade da vida, mas a
abundância da vida  íntima, fazendo quase sempre uma jornada cósmica para
dentro do seu universo interior, na intimidade da própria alma.
 
Regenerados são os seres humanos que notaram que não podem modificar o
mundo dos outros, mas apenas o seu próprio mundo. Que os indivíduos, lugares e
ambientes não podem ser mudados, e que as únicas coisas que podem e devem
ser alteradas são suas atitudes pessoais, reações e atos relacionados a esses
mesmos indivíduos, lugares e ambientes de sua vida.
Conseguiram angariar sabedoria em decorrência das vivências anteriores.
Diferenciam o  que lhes cabe fazer e, por conseguinte, o que são deveres dos
outros. Só fazem, portanto, auto-julgamento, deixando a cada um realizar sua
própria avaliação.
 
Na realidade, trazem certas competências e destrezas alicerçadas no poder de
observação, por já possuírem uma considerável coleta de dados. São
consideradas criaturas sábias, por seus constantes insights, isto é,
compreensões súbitas diante de decisões e resoluções da vida.
 
São homens que adquiriram a habilidade de resolver suas dificuldades com
recursos novos e criativos, usando maneiras inovadoras de solucionar os
acontecimentos do cotidiano. Reconhecem que a vida é uma sucessão de
ocorrências interdependentes, por possuírem a capacidade de observar as
relações existenciais. Sempre lançam mão dos fatos passados e os
entrelaçam aos atuais, chegando à profunda compreensão das situações
e de seus problemas.
 
Descortinaram horizontes novos, porque reservaram no dia-a-dia algum
tempo para se conhecer  melhor, anotando ideias e sensações a fim de
esclarecer para si próprios o porquê de sentimentos  desconexos, emoções
variáveis e ações contraditórias, visto que tal conhecimento os ajudará a  viver
de forma mais serena e previsível.
Obtiveram transformações íntimas, surpreendentes, pois conseguiram se ver
como realmente são.
 
Retiram máscaras, que inicialmente lhes davam um certo conforto e segurança,
já que depois, eles mesmos reconheceram que elas os aprisionavam por entre
grilhões e opressões.
Aprenderam que não vale a pena representar inúmeros papéis, como se a vida
fosse um grande  teatro, mas sobretudo assumir sua própria missão na Terra,
porque constataram que cada um tem uma quota própria de contribuição perante
a Criação, e que não nasce no Planeta nenhuma criatura cuja tarefa não tenha
sido predeterminada.
 
Regenerados são os reabilitados à luz das verdades eternas. Adotaram Jesus
como o Sábio dos Sábios e, por seguirem Seus passos, fazem sempre o seu
melhor. Reconheceram que o erro nunca será motivo de abatimento e paralisação
e sim de estímulo ao aprendizado. Por isso, seguem adiante, pacientes consigo
mesmos e com os outros, ganhando cada vez mais autonomia e discernimento
ante as leis de amor que regem o Universo

 

 13 Tempo certo

Capítulo 17, item 5
“... Aquele que semeia saiu a semear; e, enquanto semeava, uma
parte da semente caiu ao longo do caminho...”
“... Mas aquele que recebe a semente numa boa terra é aquele que
escuta a palavra, que lhe presta atenção e que dá fruto, e rende cento, ou
sessenta, ou trinta por um.”
 
Na vida, não existe antecipação nem adiamento, somente o tempo propício
de cada um.
A humanidade, em geral, recebe as sementes do crescimento espiritual a
todo o instante.
Constantemente, a “Organização Divina” emite idéias de progresso e
desenvolvimento, devendo cada indivíduo absorver a sementeira de acordo
com suas possibilidades e habilidades existenciais.
A Natureza nos presenteia com uma diversidade incontável de flores, que
nos encantam e fascinam. Certamente, não as depreciaríamos apenas por
achar que vários botões já deveriam ter desabrochado dentro de um prazo
determinado por nós, nem as repreenderíamos por suas tonalidades não ser
todas iguais conforme nossa maneira de ver.
Nem poderíamos sequer compará-las com outras flores de diferentes
jardins, por estarem ou não mais viçosas. Deixemos que elas possam
germinar, crescer e florir, segundo sua natureza e seu próprio ritmo
espontâneo. Isso será sempre mais óbvio.
 
Parece racional que ofereçamos a quem amamos o mesmo
consentimento, porque cada ser tem seu próprio “marco individual” nas
estradas da vida, e não nos é permitido violentar sua maneira de entender,
comparando-o com outros, ou forçando-o com nossa impaciência para que
“cresçam” e “evoluam”, como nós acharíamos que deveria ser.
Cada um de nós possui diferenças exteriores, tanto no aspecto físico
como na forma de se vestir, de sorrir, de falar, de olhar ou de se expressar. Por
que então haveríamos de florescer “a toque de caixa”?
Nossa ansiedade não faz com que as árvores dêem frutos instantâneos,
nem faz com que as roseiras floresçam mais céleres. Respeitemos, pois, as
possibilidades e as limitações de cada indivíduo.
 
Jesus, por compreender a imensa multiformidade evolucional dos
homens, exemplificou nessa parábola a “dissemelhança” das criaturas,
comparando-as aos diversos terrenos nos quais as sementes da Vida foram
semeadas.
As que caíram ao longo do caminho, e os pássaros as comeram,
representam as pessoas de mentalidade bloqueada e restringida, que recusam
todas as possibilidades de conhecimento que as conteste, ou mesmo, qualquer
forma que venha modificar sua vida ou interferir em seus horizontes
existenciais. São seres de compreensão e aceitação diminuta ou quase nula.
São comparáveis aos atalhos endurecidos e macerados pela ação do tempo.
Outras sementes caíram em lugares pedregosos, onde não havia muita
terra, mas logo brotaram. Ao surgir o sol, queimaram-se porque a terra era
escassa e suas raízes não eram suficientemente profundas.
Foram logo ressecadas porque não suportaram o “calor da prova”; e,
por serem qualificadas como pessoas de convicção “flutuante”, torraram
rapidamente seus projetos e intenções.
 
Nossas bases psicológicas foram recolhidas nas experiências do ontem.
São raízes do passado que nos dão manutenção no presente para ir adiante,
nos processos de iluminação interior.
Quando os “caules” não são suficientemente profundos e vetustos, há
bloqueios tanto em nossa consciência intelectual como na emocional. Um
mecanismo opera de forma a assimilar somente o que se pode digerir daquela
informação ou ensinamento recebido.
Assim, a disponibilidade de perceber a realidade das coisas funciona
nas bases do “potencial” e da “viabilidade evolutiva” e, portanto, impor às
pessoas que “sejam sensíveis” ou que “progridam”, além de desrespeito à
individualidade, é fator perigoso e destrutivo para exterminar qualquer tipo de
relacionamento.
 
Os espinheiros que, ao crescer, abafaram as sementes representam as
“idéias sociais” que impermeabilizam a mentalidade dos seres humanos, pois,
no tempo do Mestre, as leis do “Torah” asfixiavam e regulamentavam não
somente a vida privada, mas também a pública.
Os indivíduos que não pensam por si mesmos acabam caindo nos
domínios das “normas e regras”, sem poder erguer em demasia a sua mente,
restrita pelas idéias vigentes, o que os sentencia a viver numa “frustração
grupal”, visto que seu grau de raciocínio não pode ultrapassar os níveis
permitidos pela comunidade.
 
Jesus de Nazaré combateu sistematicamente os “espinhos da opressão”
na pessoa daqueles que observavam com rigor rituais e determinações das
leis, em detrimento da pureza interior. Dessa forma, Ele desqualificou todo
espírito de casta entre as criaturas de sua época.
As demais sementes, no entanto, caíram em boa terra e deram frutos
abundantes. O que é um “solo fértil”?
Nossos patrimônios de entendimento, de compreensão e de
discernimento não ocorrem por acaso, porqüanto nenhum aprendizado nos
envolverá profundamente se não estivermos dotados de competência e
habilidades propiciadoras.
A boa absorção ou abertura de consciência acontece somente no
momento em que não nos prendemos na forma. Aprofundarmo-nos no
conteúdo real quer dizer: “Quem não quebra a noz, só lhe vê a casca”. Mas
para “quebrar a noz e preciso senso e noção, base e atributos que requerem
tempo para se desenvolverem convenientemente. A consciência da criatura,
para que seja receptiva, precisa estar munida de “despertamento natural” e
“amadurecimento psicológico”.
 
Reforçando a idéia, examinemos o texto do apóstolo Marcos, onde
encontramos: “porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a
espiga, e por ültimo o grão cheio na espiga”. (1)
O Mestre aceitava plenamente a diversidade humana. Ele se opunha a
todo e qualquer “nivelamento psicológico” e, portanto, lançou a Parábola do
Semeador, a fim de que entendêssemos que o melhor apoio que prestaríamos
a nossos companheiros de jornada seria simplesmente esperar em silêncio e
com paciência.
Portanto, compreendamos que a nós, somente, compete “semear”; sem
esquecer, porém, que o crescimento e a fartura na colheita dependem da
“chuva da determinação humana” e do “solo generoso” da psique do ser, onde
houve a semeadura.(1) Marcos 4:28
 
 
 

 

 12 Desbravando mistérios
 
Capítulo 7, item 7
 
“E não Jesus disse estas palavras: Eu vos rendo glória, meu Pai,
Senhor do Céu e da Terra, por haverdes ocultado essas coisas aos sábios
e aos prudentes, e por as haver revelado aos simples e aos pequenos.”
 
Vaie considerar que, quando Jesus afirmou que Deus havia ocultado os
mistérios aos sábios e aos prudentes e os tinha revelado aos simples e
pequenos, em verdade observava que certos homens de cultura e
intelectualidade achavam-se perfeitos eruditos, não precisando de mais nada
além do seu cabedal de instrução.
Por sua vez, orgulhosos porque retinham vários títulos, acreditavam-se
superiores e melhores que os outros, fechando assim as comportas da alma às
fontes inspirativas e intuitivas do plano espiritual.
 
Porém, os “pequenos e simples”, aos quais se reportava o Mestre, são
aqueles outros que, devido à posição flexível em face da vida, descortinam
novas idéias e conceitos, absorvendo descobertas e pesquisas de todo teor,
selecionando as produtivas, para o seu próprio mundo mental. Por não serem
ortodoxos, ou seja, conservadores intransigentes, e sim afeiçoados à reflexão
constante das leis eternas e ao exercício da fé raciocinada, reúnem melhores
condições de observar a vida com os “olhos de ver”.
São conhecidos pela “maturidade evolutiva”, que é avaliada levando-se
em conta seus comportamentos nos mais variados níveis de realização, entre
diversos setores (físico, mental, emocional, social e espiritual) da existência
humana.
 
Pelo modo como agem e como se comportam diante de problemas e
dificuldades, “os pequenos e os simples” têm uma noção exata de sua própria
maturidade espiritual. Além disso, sentem uma sensação enorme de
serenidade e paz pela capacidade, pela eficiência e pelos atributos pessoais, e
por se comportarem dentro do que esperavam de si mesmos.
Simples são os descomplicados, os que não se deixam envolver por
métodos extravagantes, supostamente científicos, e por critérios de análise
rígida. Simples são os que sempre usam a lógica e o bom senso, que nascem
da voz do coração.
 
São aqueles que não entronizam sua personalidade megalomaníaca
atrás de mesas douradas e que não penduram pergaminhos para a
demonstração pública de exaltação do próprio ego.
Os “sábios” a quem o Senhor se referia eram os dominadores e
controladores da mente humana, que desempenhavam papéis sociais, usando
máscaras diversas segundo as situações convenientes. Estão a nossa volta:
são criaturas sem originalidade e criatividade, porque não auscultam as
vibrações uníssonas que descem do Mais Alto sobre as almas da Terra.
Não suportam a mais leve crítica - mesmo quando construtiva - de seus
atos, feitos, raciocínios e ideais; por isso, deixam de analisá-la para comprovar
ou não sua validade. Por se considerarem “donos da verdade”, reagem e se
irritam, esquecendo-se de que esses comentários poderiam, em alguns casos,
proporcionar-lhes melhores reflexões com ampliação da consciência.
 
Vale considerar que esses “sábios” não se lançam em novas amizades e
afeições, pois conservam atitudes preconceituosas de classe social, de cor, de
religião e de outras tantas, amarrando-se aos exclusivismos egoísticos.
Não obstante, o Mestre Jesus se reportava às luzes dos céus, que
agilizariam os simples a pensar com mais lucidez, a se expressar com maior
naturalidade, para que pudessem desbravar os mistérios do amor e das
verdades espirituais, transformando-se no futuro nos reais missionários das leis
eternas.
 
“Simples” são os espontâneos, porque abandonaram a hipocrisia e
aprenderam a se desligar quando preciso do mundo externo, a fim de deixar
fluir amplamente no seu mundo interior as correntezas da luz; são todos
aqueles que prestam atenção no “Deus em si” e entram em contato com Ele e
consigo mesmo; são, enfim, aqueles que já se permitem escutar sua fonte
interior de inspiração e, ao mesmo tempo, confiar nela plenamente.

 

 

 
“... Tal é aquele que tendo feito mal sua tarefa, pede para recomeçá-la
afim de não perder o benefício do seu trabalho...”
“... Rendamos graças a Deus que, na sua bondade, concede ao
homem a faculdade da reparação e não o condena irrevogavelmente pela
primeira falta.”
(Capítulo 5, item 8.)
 
Culpa quer dizer paralisação das nossas oportunidades de crescimento no
presente em consequência da nossa fixação doentia em comportamentos do
passado.
Quem se sente culpado se julga em “peccatum”, palavra latina que quer
dizer “pecado ou culpa”. Logo, todos nós vestimos a densa capa da culpa
desde a mais tenra infância.
Certas religiões utilizam-se frequentemente da culpa como meio de
explorar a submissão de seus fiéis. Usam o nome de Deus e suas leis como
provedores do mecanismo de punição e repressão, afirmando que garantem a
salvação para todos aqueles que forem “tementes a Deus”.
Esquecem-se, no entanto, de que o Criador da Vida é infinita Bondade e
Compreensão e que sempre vê com os “olhos do amor”, nunca punindo suas
criaturas; na realidade, são elas mesmas que se autopenalizam. por não se
renovarem nas oportunidades do livre-arbítrio e por ficarem, no presente,
agarradas aos erros do passado.
 
Nossa atual cultura ainda é a mais grave geradora de culpa na formação
educacional dos relacionamentos, seja no social, seja no familiar. No recinto do
lar encontramos muitos pais induzindo os filhos à culpa: “Você ainda me mata
do coração!”, tática muito comum para manter sob controle uma pessoa
rebelde; ou dos filhos que aprenderam a tramoia da culpa, para obter aquilo
que desejam: “Os pais de minhas amigas deixam elas fazer isso”.
Culpar não é um método educativo, nem tampouco gerador de
crescimento, mas um meio de induzir as pessoas a não se responsabilizar por
seus atos e atitudes.
 
Em muitas oportunidades encontramos indivíduos que teimam em culpar
os outros, acreditando ser muito cômodo representar o papel de injustiçados e
perseguidos. Colocam seus erros sobre os ombros das pessoas, da sociedade,
da religião, dos obsessores, do mundo enfim.
No entanto, só eles poderão decidir se reconhecem ou não suas
próprias falhas, porque apenas dessa forma se libertarão da prisão mental a
que eles mesmos se confinaram.
 
Dar importância às culpas é focalizar fatos passados com certa
regularidade, sempre nos fazendo lembrar de alguma coisa que sentimos, ou
deixamos de sentir, falamos ou deixamos de falar, permitimos ou deixamos de
permitir, desperdiçando momentos valiosos do agora, quando poderíamos
operar as verdadeiras bases para nosso desenvolvimento intelecto-moral.
“Ninguém que lança mão ao arado e olha para trás é apto para o reino
de Deus”. (1)
 
Olhando para trás, a alma não caminha resoluta e, consequentemente,
não se liberta dos grilhões do passado.
Todos nós fomos criados com possibilidades de acertar e errar; por isso,
temos necessidade de exercitar para aprender as coisas, de colocar as
aptidões em treino, de repetí-las várias vezes entre ensaios e erros.
 
A culpa se estrutura nos alicerces do perfeccionismo. Alimentamos a
idéia de que não seremos suficientemente bons se não fizermos tudo com
perfeição. Esquecemo-nos, porém, de que todo o nosso comportamento é
decorrente de nossa idade evolutiva e de que somos tão bons quanto nos
permite nosso grau de evolução. A todo momento, fazemos o melhor que
podemos fazer, por estarmos agindo e reagindo de acordo com nosso “senso
de realidade”. O “arrependimento” resulta do quanto sabíamos fazer melhor e
não o fizemos, enquanto que a culpa é, invariavelmente, a exigência de que
deveríamos ter feito algo, porém não o fizemos por ignorância ou impotência.
 
A Divina Providência sempre “concede ao homem a faculdade da
reparação e não o condena irrevogavelmente”. Não há, razão, portanto, para
culpar-se sistematicamente, pois ele será cobrado pelo “muito” ou pelo “pouco”
que lhe foi dado, ou mesmo, “muito se pedirá àquele que muito recebeu”. (2)
Assevera Paulo de Tarso: “a mim, que fui antes blasfemo, perseguidor e
injuriador, mas alcancei misericórdia de Deus, porque o fiz por ignorância, e por
ser incrédulo”. (3) Tem-se, dessa forma, um ensinamento claro: a culpa é
sempre proporcional ao grau de lucidez que se possui, isto é, nossa ignorância
sempre nos protege.
 
Não guardemos culpa. Optemos pelo melhor, modificando nossa
conduta. Reconheçamos o erro e não olhemos para trás, e sim, para frente,
dando continuidade à nossa tarefa na Terra.
(1) Lucas 9:62.
(2) Lucas 12:48.

 

 10 Sacudir o pó
 
“... Quando alguém não quiser vos receber, nem escutar vossas
palavras, sacudi, em saindo dessa casa ou dessa cidade, o pó de vossos
pés...”
“... Assim diz hoje o Espiritismo aos seus adeptos: não violenteis
nenhuma consciência; não forceis ninguém a deixar sua crença para
adotar a vossa...”
(Capítulo 21, itens 10 e 11.)
 
Não nos influenciemos pelos feitos alheios. Nossas atitudes devem
realmente nascer de nossas inspirações mais íntimas, e não constituir uma
forma de “reagir” contra as atitudes dos outros.
Não permitamos que emoções outras determinem nosso modo peculiar
de pensar e agir; caminhemos sobre nossas próprias pernas, determinando
como agir.
 
“Quando alguém não quiser vos receber, sacudi o pó de vossos pés”. A
recomendação de Jesus poderá ser assim interpretada: não devemos impor
aos outros o constrangimento de convencê-los à nossa realidade, como se
nossa maneira de traduzir as leis divinas fosse a melhor; nem achar que a
Verdade é propriedade única, e que somente coubesse a nós a posse
exclusiva desse patrimônio.
 
Em muitas ocasiões, a título de aconselhar melhores opções e diretrizes,
no sentido de esclarecer e priorizar a seleção de atitudes dos outros, que, na
verdade caberia a eles próprios desempenhar, nós extrapolamos nossas reais
funções e limites, transformando o que poderia ser esclarecimento e orientação
em abuso e ocupação indevida dos valores e domínios dos indivíduos.
Sentimos necessidade de “corrigir” opiniões, “indicar” caminhos, “induzir”
experiências, privando as pessoas de exercer opções e de vivenciar suas
próprias experiências. Deixando-as cair e se levantar, amar e sofrer, estamos,
ao contrário, permitindo que elas mesmas possam angariar seus próprios
conhecimentos e, dessa forma, estruturar sua maturação e crescimento
pessoal.
 
“Deixar casas e cidades que não nos ouvem as palavras” é demonstrar
que não temos a pretensão de únicos possuidores da revelação divina e que,
não fosse nossa intermediação, as criaturas estariam desprovidas de outros
canais de instrução e conhecimento divino.
“Reter o pó em vossos pés” é não ter a visão da imensidade e
diversidade das possibilidades universais, que apóiam sempre as criaturas de
conformidade com sua idade astral e sempre no momento propício para seu
crescimento íntimo.
 
A Vida Maior tem inúmeras vias de inspiração e revelação, a fim de
conduzir os indivíduos a seu desenvolvimento espiritual; portanto, não
devemos nos arvorar em indispensáveis dignitários divinos.
Lancemos as sementes sem a pretensão de aplausos e reconhecimentos,
mesmo porque talvez não haja florescimento imediato, mas na
terra fértil dos sentimentos humanos haverá um dia em que o campo produzirá
a seu tempo.
 
Ao aceitarmos as pessoas como indivíduos de personalidade própria,
respeitando suas opiniões, ideias e conceitos, até mesmos seus preconceitos,
estaremos dando a elas um fundamental apoio para que escutem o que temos
para dizer ou esclarecer, deixando depois que elas mesmas, conforme lhes
convier, mudem ou não suas diretrizes vivenciais.
Talvez o servo imprudente, arraigado no orgulho, esperasse louros
dourados de consideração e entendimento de todos os que o escutassem, e
que fosse amplamente compreendido em suas intenções, mas por enquanto,
na Terra, o plantio é ainda difícil e as colheitas não são generosas.
Há muitas criaturas intransigentes e rigorosas que não entendem,
impõem; não ensinam, pregam; não amam, manipulam; não respeitam,
criticam; e por não usarem de sinceridade é que fazem o gênero de “suposta
santidade”.
 
Portanto, se não formos bem acolhidos nos labores que
desempenhamos na Seara de Jesus, silenciemos sem qualquer “reação” aos
contratempos e aguardemos as providências das “Mãos Divinas”.
Nesse afã, prossigamos convictos de nosso ideal de amor, palmilhando,
entre as realizações porvindouras rumo ao final feliz, nosso próprio caminho,
cujo mapa está impresso em nosso coração.
 
 
 9 Pré-ocupação
 
“... Observai os pássaros do céu: eles não semeiam nem colhem...”
“... Observai como crescem os lírios dos campos: eles não trabalham
nem fiam...”
“... não estejais inquietos pelo dia de amanhã, porque o dia de
amanhã cuidará de si mesmo. A cada dia basta o seu mal.”
 
(Capítulo 25, item 6 Evangelho)
 
A estratégia da preocupação é nos manter distantes do momento presente,
imobilizando as realizações do agora em função de coisas que poderão ou não
acontecer.
Desperdiçamos, por conseqüência, tempo e energias preciosas,
obcecados com os eventos do porvir, sobre os quais não temos qualquer tipo
de comando, pois olvidamos que tudo que podemos e devemos dirigir é
somente nossas próprias vidas.
São realmente diversas as preocupações sobre as quais não temos
nenhum controle: a doença dos outros, a alegria dos filhos, o amor das
pessoas, o julgamento alheio sobre nós, a morte de familiares e outras tantas.
 
Podemos, porém, nos “pré-ocupar” o quanto quisermos com essas questões,
que não traremos a saúde, a felicidade, o amor, a consideração ou mesmo o
retorno à vida, porque todas elas são coisas que fogem às nossas
possibilidades.
 
Outra questão é quando passamos por enormes desequilíbrios causados
pelo desgaste emocional de nos ocuparmos antes do tempo certo com coisas e
pessoas, o que ocasiona insônias, decepções e angústias pelo temor
antecipado do que poderá vir a acontecer no amanhã.
Não confundamos “pré-ocupação” com “previdência”, porque se preparar
ou ser precavido para realizar planos para dias vindouros é tino de bom senso
e lógica; mas prudência não é preocupação, porque enquanto uma é sensata e
moderada, a outra é irracional e tolhe o indivíduo, prejudicando-o nos seus
projetos e empreendimentos do hoje.
 
Nossa educação social estimula o vício do “pensamento preocupante”,
principalmente no convívio familiar, onde teve início o fato de relacionarmos
preocupação com “dar proteção”.
Passamos a nos comportar afirmando: “Lógico que eu me preocupo com
você, eu o amo”, “Você tem que se preocupar com seus pais”, “Quem tem
filhos vive em constante preocupação”.
 
Pensamos que estamos defendendo e auxiliando os entes queridos,
quando na verdade estamos confinando-os e prejudicando-os por transmitir lhes,
às vezes, de modo imperceptível, medo, insegurança e pensamentos
catastróficos.
“Não estejais inquietos pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã
cuidará de si mesmo."
"A cada dia basta seu mal”.
 
O Criador provê suas criaturas como necessário, porquanto seria
impossível a Natureza criar em nós uma necessidade sem nos dar meios para
supri-la. “Vede os pássaros do céu, vede os lírios dos campos”.
Além do mais, pedia-nos que fizéssemos observações de como a vida
se comporta e que deixássemos de nos “pré-ocupar”, convidando-nos a olhar
para nossa criação divina que a todos acolhe.
 
O Mestre queria dizer com essas afirmativas que tudo o que vemos tem
ligação conosco e com todas as partes do Universo e que somos, em
realidade, participantes de uma Natureza comum. As mesmas causas que
cooperam para o benefício de uns cooperam da mesma forma para o de
outros. Quando há confiança, existe fé; e é essa fé que abre o fluxo divino para
a manutenção e prosperidade de nossa existência, dando-nos juntamente a
proteção que buscamos em todos os níveis de nossa vida.
 
 

 licao 8 A verdade

“... Pilatos, então, lhe disse: Sois, pois, rei? Jesus lhe replicou: Vós o
dissestes; eu sou rei; eu não nasci nem vim a este mundo senão para
testemunhar a verdade; qualquer que pertença à verdade escuta minha
voz.”
(Capítulo 2, item 1 Evangelho.)
 
Não vemos a verdade, conforme afirmou Jesus Cristo, porque nossa
mente trabalha sem estar ligada aos nossos sentidos e emoções mais
profundos.
As ilusões nos impedem que realmente tenhamos os olhos de ver, e
porque não buscamos a verdade projetamos nos outros o que não podemos
aceitar como nosso. Tentamos nos livrar de nossos próprios sentimentos
atribuindo-os a outras pessoas. Adão disse a Deus: “Eu não pequei, a culpa foi
da mulher que me tentou”. Eva se desculpa perante o Criador: “Toda a
discórdia ocorrida cabe à maldita serpente”. Assim somos todos nós. Quando
desconhecemos os traços de nossa personalidade, condenamos fortemente e
responsabilizamos os outros por aquilo que não podemos admitir em nós
próprios.
 
Nossa visão sobre as coisas pode enganar-nos, pode estar disforme sob
determinados pontos de vista, pois em realidade ela se forjou entre nossas
convicções mais profundas, sobre aquilo que nós convencionamos chamar de
certo e errado, isto é, verdadeiro ou falso.
Na infância. por exemplo, se fomos repreendidos duramente por
demonstrarmos raiva, se fomos colocados em situações vexatórias por
aparentarmos medo, ou se fomos ridicularizados por manifestarmos afeto e
carinho, acabamos aprendendo a reprimir essas emoções por serem
consideradas feias, erradas e pecaminosas por adultos insensíveis e
recriminadores.
 
Porém, não damos conta de que, ao adotarmos essa postura repressora,
tornamo-nos criaturas inseguras e fracas e, a partir daí, começamos a não
confiar mais em nós mesmos.
Se a nossa verdade não é admitida honestamente, como podemos nos
aproximar da Verdade Maior?
Sentir medo ou raiva, quando houver necessidades autênticas, seja para
transpor algum obstáculo, seja para vencer barreiras naturais, é perfeitamente
compreensível, porque a energia da raiva é um importante “fator de defesa”, e
o medo é um prudente mediador em “situações perigosas”.
 
Para que possamos encontrar a Verdade, à qual se referia Jesus, é
preciso aceitar a nossa verdade, exercitando o “sentir” quanto às nossas
emoções, e adeqüá-las corretamente na vida. A sugestão feliz é o equilibrio e a
integração de nossas energias íntimas, e nunca a repressão e o
entorpecimento, nem tampouco a entrega incondicional simplesmente.
O que é a Verdade? Disse o Mestre: “Vim ao mundo para dar
testemunho da Verdade; todo aquele que é da Verdade ouve a minha voz”.
 
Cremos no que vemos, mas muitas vezes os órgãos dos sentidos nos
enganam. Vejamos alguns exemplos:
A Terra parece parada; o arco-íris nada mais é do que raios de sol
atravessando gotículas d’água; e certas estrelas que vislumbramos nos céus já
não existem, contudo, devido às distâncias enormes a serem percorridas, as
suas luzes continuam aportando na atmosfera de nosso planeta, dando-nos a
falsa impressão de vida real.
 
Cremos no que nos disseram, e, embora não sejam situações
vivenciadas ou experimentadas por nós, aceitamos como “verdades absolutas”,
quando de fato eram “conceitos relativos”.
Maneirs é aceitar anossa realidade
de vida - as metas que alteram a sina de nossa existência.Em vez de atribuirmos aos
outros e ao mundo nossas derrotas efracassos, lembremo-nos de que “as vicissitudes
da vida têm, pois, uma causa,e, uma vez que Deus é justo, essa causa deve ser justa”.
 
 
 
“... Quando fordes convidados para bodas, não tomeis nelas o
primeiro lugar, temendo que se encontre entre os convidados uma
pessoa mais considerada que vós, e que aquele que vos tiver convidado
não venha vos dizer: Dai vosso lugar a este...”
“... todo aquele que se eleva será rebaixado, e todo aquele que se
rebaixa será elevado.”
(Capítulo 7, item 5.)
 
Querendo ilustrar suas prédicas, como sempre de modo claro e
compreensível, Jesus de Nazaré considerava, certa ocasião, como os
convidados de uma festividade se comportavam precipitadamente, na ânsia de
tomar os lugares principais da mesa, com isso desrespeitando os princípios
básicos do bom senso e da educação.
Qual o teu lugar à mesa? Qual a tua posição no universo de ti mesmo?
Essa a grande proposta feita pelo Mestre nesta parábola.
Será que o lugar que ocupas hoje é teu mesmo? Ou influências externas
te levam a direções antagônicas de acordo com o teu modo de pensar e agir?
Tens escutado a voz da alma, que é Deus em ti, ou escancarado teus
ouvidos às opiniões e conceitos dos outros?
 
Nada pior do que te sentires deslocado na escola, profissão, circulo
social ou mesmo entre familiares, porque deixas parentes, amigos, cônjuges e
companheiros pensarem por ti, não permitindo que Deus fale contigo pelas vias
inspirativas da alma.
Essa inadaptação que sentes é fruto de teu deslocamento íntimo por
não acreditares em tuas potencialidades. Achas-te incapaz, não por seres
realmente, mas porque te fazes surdo às tuas escolhas e preferências oriundas
de tua própria essência.
Se permaneceres nesse comportamento volúvel, apontando
freqüentemente os outros como responsáveis pela tua inadequação e conflitos,
porque não assumes que és uma folha ao vento entre as vontades alheias, te
sentirás sempre um solitário, ainda que rodeado por uma multidão.
 
Porém, se não mais negares sistematicamente que tuas ações são,
quase na totalidade, frutos do consenso que fizeste do somatório de conselhos
e palpites vários, estarás sendo, a partir desse instante, convidado a sentar no
teu real lugar, na mesa da existência.
Por fim, perceberás com maior nitidez quem é que está movimentando
tuas decisões e o quanto de participação tens nas tuas opções vivenciais.
No exame da máxima “todo aquele que se eleva será rebaixado e todo
aquele que se rebaixa será elevado”, vale considerar que não é a postura de se
“dar ares” de humildade ou a de se rebaixar de forma exagerada e humilhante
que te poderá levar àconscientização plena da tua localização dentro de ti
mesmo. Sintonizando-te na verdadeira essência da humildade, que é
conceituada como “olhar as coisas como elas são realmente”, e percebendo
que a tua existência é responsabilidade unicamente tua, é que tu serás tu
mesmo.
 
Ser humilde é auscultar a origem real das coisas, não com os olhos da
ilusão, mas com os da realidade, despojando-se da imaginação fantasiosa de
uma ótica mental distorcida, nascida naqueles que sempre acham que%3/div>
Nãosabem que são arquitetos de seu destino, nem se conscientizam de que opassado
determina o presente, o qual, por sua vez, determina o futuro.A vítima sente-se impotente
e indefesa em face de um destino cruel.Sem força nem capacidade de mudar,
repetidas vezes afirma: “Eu não mereciaisto”, “A vida é injusta comigo”, nunca lhe
ocorrendo, porém, que o seu jeito deser é que materializa pessoas e situações em sua volta.
Defendem seus gestos e atitudes infelizes dizendo: “Meus problemassão causados por meu lar”,
“Os outros sempre se comportam desta formacomigo”.
Desconhecem que as causas dos problemas somos nós e que, aorenascermos, atraímos
esse lar para aprendermos a resolver nossos conflitos.São os nossos comportamentos
interiores que modificam o comportamento dosoutros para conosco. Se somos, pois,
constantemente maltratados é porqueestamos constantemente nos maltratando e ou maltratando alguém.
 
Ninguém pode fazer-nos agir ou sentir de determinada maneira sem anossa permissão.
Outras pessoas ou situações poderão estimular-nos a ter certasreações, mas somente nós
mesmos determinaremos quais serão e como serãoessas reações. As formas pelas quais
reagimos foram moldadas pelasexperiências em várias vidas e sedimentadas pela força de
nossas crençasinteriores - mensagens gravadas em nossa alma.Portanto, precisamos
assumir o comando de nossa vida e sair doposicionamento infantil de criaturas mimadas
e frágeis, que reclamam e secolocam como “vítimas do destino.
Admitir a real responsabilidade por nossos atos e atitudes é aceitar anossa realidade
de vida - as metas que alteram a sina de nossa existência.Em vez de atribuirmos aos
outros e ao mundo nossas derrotas efracassos, lembremo-nos de que “as vicissitudes
da vida têm, pois, uma causa,e, uma vez que Deus é justo, essa causa deve ser justa”.
 
 
 
“... Quando fordes convidados para bodas, não tomeis nelas o
primeiro lugar, temendo que se encontre entre os convidados uma
pessoa mais considerada que vós, e que aquele que vos tiver convidado
não venha vos dizer: Dai vosso lugar a este...”
“... todo aquele que se eleva será rebaixado, e todo aquele que se
rebaixa será elevado.”
(Capítulo 7, item 5.)
 
Querendo ilustrar suas prédicas, como sempre de modo claro e
compreensível, Jesus de Nazaré considerava, certa ocasião, como os
convidados de uma festividade se comportavam precipitadamente, na ânsia de
tomar os lugares principais da mesa, com isso desrespeitando os princípios
básicos do bom senso e da educação.
Qual o teu lugar à mesa? Qual a tua posição no universo de ti mesmo?
Essa a grande proposta feita pelo Mestre nesta parábola.
Será que o lugar que ocupas hoje é teu mesmo? Ou influências externas
te levam a direções antagônicas de acordo com o teu modo de pensar e agir?
Tens escutado a voz da alma, que é Deus em ti, ou escancarado teus
ouvidos às opiniões e conceitos dos outros?
 
Nada pior do que te sentires deslocado na escola, profissão, circulo
social ou mesmo entre familiares, porque deixas parentes, amigos, cônjuges e
companheiros pensarem por ti, não permitindo que Deus fale contigo pelas vias
inspirativas da alma.
Essa inadaptação que sentes é fruto de teu deslocamento íntimo por
não acreditares em tuas potencialidades. Achas-te incapaz, não por seres
realmente, mas porque te fazes surdo às tuas escolhas e preferências oriundas
de tua própria essência.
Se permaneceres nesse comportamento volúvel, apontando
freqüentemente os outros como responsáveis pela tua inadequação e conflitos,
porque não assumes que és uma folha ao vento entre as vontades alheias, te
sentirás sempre um solitário, ainda que rodeado por uma multidão.
 
Porém, se não mais negares sistematicamente que tuas ações são,
quase na totalidade, frutos do consenso que fizeste do somatório de conselhos
e palpites vários, estarás sendo, a partir desse instante, convidado a sentar no
teu real lugar, na mesa da existência.
Por fim, perceberás com maior nitidez quem é que está movimentando
tuas decisões e o quanto de participação tens nas tuas opções vivenciais.
No exame da máxima “todo aquele que se eleva será rebaixado e todo
aquele que se rebaixa será elevado”, vale considerar que não é a postura de se
“dar ares” de humildade ou a de se rebaixar de forma exagerada e humilhante
que te poderá levar àconscientização plena da tua localização dentro de ti
mesmo. Sintonizando-te na verdadeira essência da humildade, que é
conceituada como “olhar as coisas como elas são realmente”, e percebendo
que a tua existência é responsabilidade unicamente tua, é que tu serás tu
mesmo.
 
Ser humilde é auscultar a origem real das coisas, não com os olhos da
ilusão, mas com os da realidade, despojando-se da imaginação fantasiosa de
uma ótica mental distorcida, nascida naqueles que sempre acham que
merecem os “melhores lugares” em tudo.
Vale considerar que, por não estarmos realizando um constante
exercício de auto-observação, quase sempre deduzimos ou captamos a
realidade até certo ponto e depois concluímos o restante a nosso bel-prazer,
criando assim ilusões e expectativas desgastantes que nos descentralizam de
nossos objetivos.
 
Quem encontrou o seu lugar respeita invariavelmente o lugar dos outros,
pois divisa a própria fronteira e, conseqüentemente, não ultrapassa o limite dos
outros, colocando na prática o “amor ao próximo”.
Para que encontres o teu lugar, é necessário que tenhas uma
“simplicidade lúcida”, e o despojar dos teus enganos e fantasias fará com que
encontres a autêntica humildade.
 
Para que não tenhas que ceder teu lugar a outro, é indispensável que
vejas as coisas como elas são realmente e que uses o bom senso como ponto
de referência para o teu aprimoramento e para a tua percepção da verdade
como um todo. Procura-te em ti mesmo: eis a possibilidade de sempre achares
o lugar que te pertence perante a Vida Excelsa.
 
 
 
5
 Aprendendo a perdoar

“Se perdoardes aos homens as faltas que eles fazem contra vós,
vosso Pai celestial vos perdoará também vossos pecados, mas se não
perdoardes aos homens quando eles vos ofendem, vosso Pai, também,
não vos perdoará os pecados.”
(Capítulo 10, item 2 Evangelho)

Nosso conceito de perdão tanto pode facilitar quanto limitar nossa
capacidade de perdoar.
Por possuirmos crenças negativas de que perdoar é “ser apático” com os
erros alheios, ou mesmo, é aceitar de forma passiva tudo o que os outros nos
fazem, é que supomos estar perdoando quando aceitamos agressões, abusos,
manipulações e desrespeito aos nossos direitos e limites pessoais, como se
nada tivesse acontecendo.

Perdoar não é apoiar comportamentos que nos tragam dores físicas ou
morais, não é fingir que tudo corre muito bem quando sabemos que tudo em
nossa volta está em ruínas. Perdoar não é ser conivente” com as condutas
inadequadas de parentes e amigos, mas ter compaixão, ou seja, entendimento
maior através do amor incondicional. Portanto, é um “modo de viver
O ser humano, muitas vezes, confunde o “ato de perdoar” com a negação
dos próprios sentimentos, emoções e anseios, reprimindo mágoas e usando
supostamente o “perdão” como desculpa para fugir da realidade que, se
assumida, poderia como consequência alterar toda uma vida de

relacionamento.
Uma das ferramentas básicas para alcançarmos o perdão real é manternos
a uma certa “distância psíquica” da pessoa-problema, ou das discussões,
bem como dos diálogos mentais que giram de modo constante no nosso
psiquismo, porque estamos engajados emocionalmente nesses envolvimentos
neuróticos.
Ao desprendermo-nos mentalmente, passamos a usar de modo
construtivo os poderes do nosso pensamento, evitando os “deveria ter falado
ou agido” e eliminando de nossa produção imaginativa os acontecimentos
infelizes e destrutivos que ocorreram conosco.
Em muitas ocasiões, elaboramos interpretações exageradas de
suscetibilidade e caímos em impulsos estranhos e desequilibrados, que
causam em nossa energia mental uma sobrecarga, fazendo com que o
cansaço tome conta do cérebro. A exaustão íntima é profunda.
A mente recheada de ideias desconexas dificulta o perdão, e somente
desligando-nos da agressão ou do desrespeito ocorrido é que o pensamento
sintoniza com as faixas da clareza e da nitidez, no processo denominado
“renovação da atmosfera mental”.

É fator imprescindível, ao “separar-nos” emocionalmente de
acontecimentos e de criaturas em desequilíbrio, a terapia da prece, como forma
de resgatar a harmonização de nosso “halo mental”. Método sempre eficaz,
restaura-nos os sentimentos de paz e serenidade, propiciando-nos maior
facilidade de harmonização interior.
A qualidade do pensamento determina a “ideação” construtiva ou
negativa, isto é, somos arquitetos de verdadeiros “quadros mentais” que
circulam sistematicamente em nossa própria órbita áurica. Por nossa
capacidade de “gerar imagens” ser fenomenal, é que essas mesmas criações
nos fazem ficar presos em “mono-ideias”. Desejaríamos tanto esquecer, mas
somos forçados a lembrar, repetidas vezes, pelo fenômeno “produção consequência”.
Desligar-se ou desconectar-se não é um processo que nos torna
insensíveis e frios, como criaturas totalmente impermeáveis às ofensas e
críticas e que vivem sempre numa atmosfera do tipo “ninguém mais vai me
atingir ou machucar”. Desligar-se quer dizer deixar de alimentar-se das
emoções alheias, desvinculando-se mentalmente dessas relações doentias de
hipnoses magnéticas, de alucinações íntimas, de represálias, de desforras de
qualquer matiz ou de problemas que não podemos solucionar no momento.

Ao soltar-nos vibracionalmente desses contextos complexos, ao desatarnos
desses fluidos que nos amarram a essas crises e conflitos existenciais,
poderemos ter a grande chance de enxergar novas formas de resolver
dificuldades com uma visão mais generalizada das coisas e de encontrar, cada
vez mais, instrumentos adequados para desenvolvermos a nobre tarefa de nos
compreender e de compreender os outros.
Quando acreditamos que cada ser humano é capaz de resolver seus
dramas e é responsável pelos seus feitos na vida, aceitamos fazer esse
“distanciamento” mais facilmente, permitindo que ele seja e se comporte como
queira, dando-nos também essa mesma liberdade.
Viver impondo certa “distância psicológica” às pessoas e às coisas
problemáticas, seja entes queridos difíceis, seja companheiros complicados,
não significa que deixaremos de nos importar com eles, ou de amá-los ou de
perdoar-lhes, mas sim que viveremos sem enlouquecer pela ânsia de tudo
compreender, padecer, suportar e admitir.

Além do que, desligamento nos motiva ao perdão com maior facilidade,
pelo grau de libertação mental, que nos induz a viver sintonizados em nossa
própria vida e na plena afirmação positiva de que “tudo deverá tomar o curso
certo, se minha mente estiver em serenidade”.
Compreendendo por fim que, ao promovermos “desconexão
psicológica”, teremos sempre mais habilidade e disponibilidade para perceber o
processo que há por trás dos comportamentos agressivos, o que nos permitirá
não reagir da maneira como o fazíamos, mas olhar “como é e como está sendo
feito” nosso modo de nos relacionar com os outros. Isso nos leva, consequentemente,
a começar a entender a “dinâmica do perdão”.
Uma das mais eficientes técnicas de perdoar é retomar o vital contato
com nós mesmos, desligando-nos de toda e qualquer “intrusão mental”, para
logo em seguida buscar uma real empatia com as pessoas. Deixamos de ser
vítimas de forças fora de nosso controle para transformar-nos em pessoas que
criam sua própria realidade de vida, baseadas não nas críticas e ofensas do
mundo, mas na sua percepção da verdade e na vontade própria.


 4
Contigo mesmo

Capítulo 17, item 7

“... O dever começa precisamente no ponto em que ameaçais a

felicidade ou a tranqüilidade do vosso próximo; termina no limite que não
gostaríeis de ver ultrapassado em relação a vós mesmos...”
(Capítulo 17, item 7.)

Como decifrar o dever? De que maneira observar o dever íntimo
impresso na consciência, diante de tantos deveres sociais, profissionais e
afetivos que muitas vezes nos impõem caminhos divergentes?

Efetivamente, nasceste e cresceste apenas para ser único no mundo.

Em lugar algum existe alguém igual a tua maneira de ser; portanto, não podes
perder de vista essa verdade, para encontrar o dever que te compete diante da
vida.

Teu primordial compromisso é contigo mesmo, e tua tarefa mais

importante na Terra, para a qual és o único preparado, édesenvolver tua
individualidade no transcorrer de tua longa jornada evolutiva.
A preocupação com os deveres alheios provoca teu distanciamento das
próprias responsabilidades, pois não concretizas teus ideais nem deixas que os
outros cumpram com suas funções. Não nos referimos aqui à ajuda real, que é
sempre importante, mas àintromissão nas competências do próximo,
impedindo-o de adquirir autonomia e vida própria.

Assumir deveres dos outros é sabotar os relacionamentos que poderiam

ser prósperos e duradouros. Por não compreenderes bem teu interior, é que te
comparas aos outros, esquecendo-te de que nenhum de nós está predestinado
a receber, ao mesmo tempo, os mesmos ensinamentos e a fazer as mesmas
coisas, pois existem inúmeras formas de viver e de evoluir. Lembra-te de que
deves importar-te somente com a tua maneira de ser.

Não podemos nos esquecer de que aquele que se compara com os

outros acaba se sentindo elevado ou rebaixado. Nunca se dá o devido valor e
nunca se conhece verdadeiramente.
Teus empenhos íntimos deverão ser voltados apenas para tua pessoa, e
nunca deverás tentar acomodar pontos de vista diversos, porque, além de te
perderes, não ajustarás os limites onde começa a ameaça à tua felicidade, ou à
felicidade do teu próximo.

Muitos acreditam que seus deveres são corrigir e reprimir as atitudes

alheias. Vivem em constantes flutuações existenciais por não saberem esperar
o fluxo da vida agir naturalmente.

Asseveram sempre que suas obrigações são em “nome da salvação” e,

dessa forma, controlam as coisas ou as forçam acontecer, quando e como
querem.

Dizem: “Fazemos isso porque só estamos tentando ajudar”. Forçam

eventos, escrevem roteiros, fazem o que for necessário para garantir que os
atores e as cenas tenham o desempenho e o desenlace que determinaram e
creditam, insistentemente, que seu dever é salvar almas, não percebendo que
só podem salvar a si próprios.

Nosso dever é redescobrir o que é verdadeiro para nós e não esconder

nossos sentimentos de qualquer pessoa ou de nós mesmos, mas sim ter
liberdade e segurança em nossas relações pessoais, para decidirmos seguir na
direção que escolhemos. Não “devemos” ser o que nossos pais ou a sociedade
querem nos impor ou definir como melhor. Precisamos compreender que
nossos objetivos e finalidades de vida têm valor unicamente para nós; os dos
outros, particularmente para eles.

Obrigação pode ser conceituada como sendo o que deveríamos fazer

para agradar as pessoas, ou para nos enquadrar no que elas esperam de nós;
jáo dever é um processo de auscultar a nós mesmos, descortinando nossa
estrada interior, para, logo após, materializá-la num processo lento e constante.
Ao decifrarmos nosso real dever, uma sensação de auto-realização toma
conta de nossa atmosfera espiritual, e passamos a apreciar os verdadeiros e
fundamentais valores da vida, associados a um prazer inexplicável.
Lembremo-nos da afirmação do espírito Lázaro em “O Evangelho
Segundo o Espiritismo”: “O dever é a obrigação moral, diante de si mesmo

primeiro, e dos outros em seguida”. (1)
(1) O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 17º, item 7.
 
 
 
“... Muito se pedirá àquele a quem se tiver muito dado, e se fará
prestar maiores contas àqueles a quem se tiver confiado mais coisas.
“... Somos nós, pois, também cegos? Jesus lhes respondeu: Se
fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas agora dizeis que vedes e é por
isso que vosso pecado permanece em vós.”
(Capítulo18, itens 10 e 11 Evangelho
 
Lucas relata em Atos dos Apóstolos a seguinte orientação de Paulo de
Tarso: “Deus não leva em conta os tempos da ignorância”. (1) Em outras
oportunidades, confirmou também que “muito se pedirá àquele que muito
recebeu”. (2) quer dizer, o agravamento das faltas é proporcional ao
conhecimento que se possui.
Compreendemos, dessa forma, que somos todos nós protegidos pela
nossa “ignorância”, pois somente seremos avaliados pela Divina Providência,
de conformidade com as possibilidades do “saber” e “sentir”, isto é, segundo a
nossa maneira de ver a nós próprios e o mundo que nos rodeia.
 
As leis espirituais que dirigem a vida são sábias e justas e adaptam-se
particularmente a cada criatura, levando em conta suas individualidades.
O eminente psicólogo e pedagogo suíço Jean Piaget, responsável pela
teoria de que o desenvolvimento das crianças propicia seu aprendizado, dizia
que elas são diferentes entre si, que cada uma tem seu jeito de crescer e de se
realizar como indivíduo, e que todos poderíamos ajudá-las nesse crescimento,
porém nunca impondo formas generalizadas e semelhantes.
Piaget ensinava que cada criança pensa e interpreta o mundo com seu
peculiar pensamento e com suas possibilidades orgânicas e mentais, quase
sempre heterogêneas.
 
Encontramos no mundo atual modernos métodos pedagógicos que
seguem esse raciocínio, levando em conta que cada indivíduo, para assimilar
sua realidade de vida, é portador de um processo psicológico de aprendizagem
próprio. Cada um percebe de forma dissemelhante os estímulos da Vida,
decodifica-os e em seguida os reelabora, formando assim sua própria
individualidade.
 
Por outro lado, encontramos também na reencarnação a guarida
desses métodos de ensino, pois ela se baseia na multiplicidade de
experiências ocorridas nos diversos avatares por onde a alma percorre seus
caminhos vivenciais, como um ser individual. As diversidades do nosso tempo
de criação, nossas heranças reencarnatórias, experiências emocionais e
mentais, ambientes sociais onde ocorrem essas mesmas experiências,
estruturas sexuais, masculinas ou femininas, e motivações várias
desenvolvidas na atualidade particularizam os seres humanos com vocações,
tendências, interesses, grau de raciocínio e discernimento “sui generis”.
Relativos e não generalizados devem ser os modos de ver as coisas e
as pessoas. O próprio direito penal classifica e pune os crimes dentro dos
padrões do “intencional” ou “doloso”, “passional” ou “ocasional”. Por que o
Poder Inteligente que nos rege iria julgar-nos sem levar em conta nosso “tempo
da ignorância” e nossa relatividade?
 
Como educar ou avaliar genericamente, usando o mesmo critério,
crianças que receberam uma educação cheia de energia e vida, ensinadas a
questionar e criar; a ter curiosidade e admiração pela natureza; e outras que só
vivenciaram discussões, agressões e comportamentos medíocres por entre
odores de bebidas alcoólicas e nicotina, sem uma visão saudável de Deus; ao
contrário, temerosa, distorcida, adquirida através da crença de um ser ameaçador
e temperamental?
O Amor de Deus programou-nos simples inicialmente para permitir que
nos desenvolvêssemos, de forma gradativa, até atingir maiores plenitudes e
totalidades.
 
Temos, pois, que seguir essa programação da Natureza, ou seja,
caminhar dentro desse projeto estabelecido pelas leis universais para
atingirmos a nossa integração como seres espirituais.
Esse processo evolucional nos mostra que podemos estar um pouco
atrás, ou adiante, das criaturas, embora cada uma delas tenha suas
características próprias e certas de acordo com sua idade astral. Nesse
decurso evolutivo, todos nós passamos por fases de egoísmo e orgulho até
atingirmos mais tarde as grandes virtudes da alma. Consideremos, portanto,
que não seremos censurados por estar nessas fases “primitivas”, porque o que
chamamos de “defeito” ou “inferioridade” seja, talvez, a passagem por esses
ciclos iniciantes onde estagiamos. Lembremos que essas “fases” ou “ciclos”
não foram criados por nós, mas pelos desígnios de Deus, que regem a
Natureza como um todo.
 
Coisas inadequadas que vemos em outras pessoas podem ser naturais
nelas, ou mesmo do “tempo da sua ignorância”, e representam características
próprias de sua etapa evolucional na estrada por onde todos transitamos,
alguns mais avançados e outros na retaguarda.
A vida moderna nos deu raciocínio e reflexão, maturação intelectual e
um desenrolar de novas descobertas, ensinando-nos formulações racionais
surpreendentes para que melhor pudéssemos compreender os métodos de
evolução e progresso em nós mesmos e no Universo.
Não somos responsáveis por aquilo que não sabemos, não sofreremos
um castigo por atos ou atitudes que ignoramos. Talvez essas idéias de
punição, alienatórias, sejam os frutos da incapacidade de nossa reflexão sobre
a Bondade Divina, O que chamamos de “sofrimento” é simplesmente
“resultado” de nossa falta de habilidade para desenvolver as coisas
corretamente, pois na vida não existem “prêmios” nem “castigos”, somente as
conseqüências dos nossos atos.
 
Vale, porém, considerar que, à medida que nossa consciência se
expande e maior lucidez se faz em nossa mente, maiores serão nossos
compromissos perante a existência. “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas
agora dizeis que vedes e é por isso que vosso pecado permanece em vós”. (3)
Podemos pretextar ignorância, mas se tivermos consciência de nossos
feitos isso sempre será levado em conta.
Avaliemos atentamente: os tesouros da alma que já integramos nos
obrigarão a prestar maiores ou menores contas perante a Vida Maior.
(1) Atos 17:30.
(2) Lucas 12:48.
(3) João 9:41.
 
 
2
 
“... Assim, pois, aqueles que pregam ser a Terra a única morada do
homem, e que só nela, e numa só existência, lhe é permitido atingir o
mais alto grau das felicidades que a sua natureza comporta, iludem-se e
enganam aqueles que os escutam...”
(Capítulo 5, item 20.)
 
As estradas que nos levam à felicidade fazem parte de um método gradual
de crescimento íntimo cuja prática só pode ser exercitada pausadamente, pois
a verdadeira fórmula da felicidade é a realização de um constante trabalho
interior.
Ser feliz não é uma questão de circunstância, de estarmos sozinhos ou
acompanhados pelos outros, porém de uma atitude comportamental em face
das tarefas que viemos desempenhar na Terra.
Nosso principal objetivo é progredir espiritualmente e, ao mesmo tempo,
tomar consciência de que os momentos felizes ou infelizes de nossa vida são o
resultado direto de atitudes distorcidas ou não, vivenciadas ao longo do nosso
caminho.
 
No entanto, por acreditarmos que cabe unicamente a nós a
responsabilidade pela felicidade dos outros, acabamos nos esquecendo de nós
mesmos. Como conseqüência, não administramos, não dirigimos e não
conduzimos nossos próprios passos. Tomamos como jugo deveres que não
são nossos e assumimos compromissos que pertencem ao livre-arbítrio dos
outros. O nosso erro começa quando zelamos pelas outras pessoas e as
protegemos, deixando de segurar as rédeas de nossas decisões e de nossos
caminhos.
 
Construímos castelos no ar, sonhamos e sonhamos irrealidades,
convertemos em mito a verdade e, por entre ilusões românticas, investimos
toda a nossa felicidade em relacionamentos cheios de expectativas coloridas,
condenando-nos sempre a decepções crônicas.
Ninguém pode nos fazer felizes ou infelizes, somente nós mesmos é
que regemos o nosso destino. Assim sendo, sucessos ou fracassos são
subprodutos de nossas atitudes construtivas ou destrutivas.
A destinação do ser humano é ser feliz, pois todos fomos criados para
desfrutar a felicidade como efetivo patrimônio e direito natural.
O ser psicológico está fadado a uma realização de plena alegria, mas
por enquanto a completa satisfação é de poucos, ou seja, somente daqueles
que já descobriram que não é necessário compreender como os outros
percebem a vida, mas sim como nós a percebemos, conscientizando-nos de
que cada criatura tem uma maneira única de ser feliz. Para sentir as primeiras
ondas do gosto de viver, basta aceitar que cada ser humano tem um ponto de
vista que é válido, conforme sua idade espiritual.
 
Para ser feliz, basta entender que a felicidade dos outros étambém a
nossa felicidade, porque todos somos filhos de Deus, estamos todos sob a
Proteção Divina e formamos um único rebanho, do qual, conforme as
afirmações evangélicas, nenhuma ovelha se perderá.
É sempre fácil demais culparmos um cônjuge, um amigo ou uma
situação pela insatisfação de nossa alma, porque pensamos que, se os outros
se comportassem de acordo com nossos planos e objetivos, tudo seria
invariavelmente perfeito. Esquecemos, porém, que o controle absoluto sobre as
criaturas não nos é vantajoso e nem mesmo possível. A felicidade dispensa
rótulos, e nosso mundo seria mais repleto de momentos agradáveis se
olhássemos as pessoas sem limitações preconceituosas, se a nossa forma de
pensar ocorresse de modo independente e se avaliássemos cada indivíduo
como uma pessoa singular e distinta.
 
Nossa felicidade baseia-se numa adaptação satisfatória ànossa vida
social, familiar, psíquica e espiritual, bem como numa capacidade de
ajustamento às diversas situações vivenciais.
Felicidade não é simplesmente a realização de todos os nossos desejos;
é antes a noção de que podemos nos satisfazer com nossas reais
possibilidades.
 
Em face de todas essas conjunturas e de outras tantas que não se
fizeram objeto de nossas presentes reflexões, consideramos que o trabalho
interior que produz felicidade não é, obviamente, meta de uma curta etapa,
mas um longo processo que levará muitas existências, através da Eternidade,
nas muitas moradas da Casa do Pai.
 
 
 
 
1-
Tua medida
Capítulo 10, item 11*
 
“Não julgueis, afim de que não sejais julgados, porque vós sereis
julgados segundo houverdes julgado os outros, e se servirá para
convosco da mesma medida da qual vos servistes para com eles.”
(Capítulo 10, item 11)*
* Apresente citação e todas as demais que iniciam cada capítulo foram
extraídas de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec.
(Nota do autor espiritual.)
 
Toda opinião ou juízo que desenvolvemos no presente está intimamente
ligado a fatos antecedentes.
Quase sempre, todos estamos vinculados a fatores de situações pretéritas,
que incluem atitudes de defesa, negações ou mesmo inúmeras distorções de
certos aspectos importantes da vida. Tendências ou pensamentos julgadores
estão sedimentados em nossa memória profunda, são subprodutos de uma
série de conhecimentos que adquirimos na idade infantil e também através das
vivências pregressas.
Censuras, observações, admoestações, superstições, preconceitos,
opiniões, informações e influências do meio, inclusive de instituições diversas,
formaram em nós um tipo de “reservatório moral” - coleção de regras e
preceitos a ser rigorosamente cumpridos -, do qual nos servimos para concluir
e catalogar as atitudes em boas ou más.
 
Nossa concepção ético-moral está baseada na noção adquirida em nossas
experiências domésticas, sociais e religiosas, das quais nos servimos para
emitir opiniões ou pontos de vista, a fim de harmonizarmos e resguardarmos
tudo aquilo em que acreditamos como sendo “verdades absolutas”. Em outras
palavras, como forma de defender e proteger nossos “valores sagrados”, isto é,
nossas aquisições mais fortes e poderosas, que nos servem como forma de
sustentação.
Em razão disso, os frequentes julgamentos que fazemos em relação às
outras pessoas nos informam sobre tudo aquilo que temos por dentro.
Explicando melhor, a “forma” e o “material” utilizados para sentenciar os outros
residem dentro de nós.
 
Melhor do que medir ou apontar o comportamento de alguém seria
tomarmos a decisão de visualizar bem fundo nossa intimidade, e nos
perguntarmos onde está tudo isso em nós. Os indivíduos podem ser
considerados, nesses casos, excelente espelho, no qual veremos quem somos
realmente. Ao mesmo tempo, teremos uma ótima oportunidade de nos
transformar intimamente, pois estaremos analisando as características gerais
de nossos conceitos e atitudes inadequados.
Só poderemos nos reabilitar ou reformar até onde conseguimos nos
perceber; ou seja, aquilo que não está consciente em nós dificilmente
conseguiremos reparar ou modificar.
 
Quando não enxergamos a nós mesmos, nossos comportamentos
perante os outros não são totalmente livres para que possamos fazer escolhas
ou emitir opiniões. Estamos amarrados a formas de avaliação, estruturadas nos
mecanismos de defesa - processos mentais inconscientes que possibilitam ao
indivíduo manter sua integridade psicológica através de uma forma de “autoengano.”
Certas pessoas, simplesmente por não conseguirem conviver com a
verdade, tentam sufocar ou enclausurar seus sentimentos e emoções,
disfarçando-os no inconsciente.
 
Em todo comportamento humano existe uma lógica, isto é, uma maneira
particular de raciocinar sobre sua verdade; portanto, julgar, medir e sentenciar
os outros, não se levando em conta suas realidades, mesmo sendo
consideradas preconceituosas, neuróticas ou psicóticas, é não ter bom senso
ou racionalidade, pois na vida somente é válido e possível o “autojulgamento”.
Não obstante, cada ser humano descobre suas próprias formas de
encarar a vida e tende a usar suas oportunidades vivenciais, para tornar-se
tudo aquilo que o leva a ser um “eu individualizado”.
Devemos reavaliar nossas ideias retrógradas, que estreitam nossa
personalidade, e, a partir daí, julgar os indivíduos de forma não generalizada,
apreciando suas singularidades, pois cada pessoa tem uma consciência
própria e diversificada das outras tantas consciências.
 
Julgar uma ação é diferente de julgar a criatura. Posso julgar e
considerar a prostituição moralmente errada, mas não posso e não devo julgar
a pessoa prostituída. Ao usarmos da empatia, colocando-nos no lugar do outro,
“sentindo e pensando com ele”, em vez de “pensar a respeito dele”, teremos o
comportamento ideal diante dos atos e atitudes das pessoas.
Segundo Paulo de Tarso, “é indesculpável o homem, quem quer que
seja, que se arvora em ser juiz. Porque julgando os outros, ele condena a si
mesmo, pois praticará as mesmas coisas, atraindo-as para si, com seu
julgamento”.  Romanos, 2:1
 
O “Apóstolo dos Gentios” manifesta-se claramente, evidenciando nessa
afirmativa que todo comportamento julgador estará, na realidade,
estabelecendo não somente uma sentença, ou um veredicto, mas, ao mesmo
tempo, um juízo, um valor, um peso e uma medida de como julgaremos a nós
mesmos.
Essencialmente, tudo aquilo que decretamos ou sentenciamos tornarse-
á nossa “real medida”: como iremos viver com nós mesmos e com os
outros.
O ser humano é um verdadeiro campo magnético, atraindo pessoas e
situações, as quais se sintonizam amorosamente com seu mundo mental, ou
mesmo de forma antipática com sua maneira de ser. Dessa forma, nossas
afirmações prescreverão as águas por onde a embarcação de nossa vida
deverá navegar.
 
Com frequência, escolhemos, avaliamos e emitimos opiniões e,
consequentemente, atraímos tudo aquilo que irradiamos. A psicologia diz que
uma parte considerável desses pensamentos e experiências, os quais usamos
para julgar e emitir pareceres, acontece de modo automático, ou seja, através
de mecanismos não perceptíveis. É quase inconsciente para a nossa casa
mental o que escolhemos ou opinamos, pois, sem nos dar conta, acreditamos
estar usando o nosso “arbítrio”, mas, na verdade, estamos optando por um
julgamento predeterminado e estabelecido por “arquivos que registram tudo o
que nos ensinaram a respeito do que deveríamos fazer ou não, sobre tudo que
é errado ou certo.
 
Poder-se-á dizer que um comportamento é completamente livre para
eleger um conceito eficaz somente quando as decisões não estão confinadas a
padrões mentais rígidos e inflexíveis, não estão estruturadas em conceitos
preconceituosos e não estão alicerçadas em ideias ou situações semelhantes
que foram vivenciadas no passado.
Nossos julgamentos serão sempre os motivos de nossa liberdade ou de
nossa prisão no processo de desenvolvimento e crescimento espiritual.
Se criaturas afirmarem “idosos não têm direito ao amor”, limitando o
romance só para os jovens, elas estarão condenando-se a uma velhice de
descontentamento e solidão afetiva, desprovida de vitalidade.
Se pessoas declararem “homossexualidade é abominável” e, ao longo
do tempo, se confrontarem com filhos, netos, parentes e amigos que têm algum
impulso homossexual, suas medidas estarão estabelecidas pelo ódio e pela
repugnância a esses mesmos entes queridos.
 
Se indivíduos decretarem ‘jovens não casam com idosos”, estarão
circunscrevendo as afinidades espirituais a faixas etárias e demarcando suas
afetividades a padrões bem estreitos e apertados quanto a seus
relacionamentos.
Se alguém subestimar e ironizar “o desajuste emocional dos outros”,
poderá, em breve tempo, deparar-se em sua própria existência com
perplexidades emocionais ou dilemas mentais que o farão esconder-se, a fim
de não ser ridicularizado e inferiorizado, como julgou os outros anteriormente.
Se formos juízes da “moral ideológica” e “sentimental”, sentenciando
veementemente o que consideramos como “erros alheios”, estaremos nos
condenando ao isolamento intelectual, bem como ao afetivo, pela própria
detenção que impusemos aos outros, por não deixarmos que eles se
lançassem a novas ideias e novas simpatias.
 
“Não julgueis, a fim de que não sejais julgados”, ou mesmo, “se servirá
para convosco da mesma medida da qual vos servistes para com eles”, quer
dizer, alertemo-nos quanto a tudo aquilo que afirmamos julgando, pois no
“auditório da vida” todos somos “atores” e “escritores” e, ao mesmo tempo,
“ouvintes” e “espectadores” de nossos próprios discursos, feitos e atitudes.
Para sermos livres realmente e para nos movermos em qualquer
direção com vista à nossa evolução e crescimento como seres eternos, é
necessário observarmos e concatenarmos nossos “pesos” e “medidas”, a fim
de que não venhamos a sofrer constrangimento pela conduta infeliz que
adotarmos na vida em forma de censuras e condenações diversas.

14
Quem são os regenerados
Capítulo 3, item 17
“Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes, a alma que se arrepende neles encontra a calma e o repouso, acabando de se depurar. Sem dúvida, nesses mundos, o homem está ainda sujeito às leis que regem a matéria...”
(Capítulo 3, item 17.)
Regenerados são todos aqueles que aprenderam a compartilhar deste mundo, contribuindo sempre para a sua manutenção e continuação, e que ao mesmo tempo, por perceberem que recebem à medida que doam, sustentam com êxito esse fenômeno de ?trocas incessantes?. São os homens que descobriram que todos estamos ligados por inúmeras formas de vida, desde o micro ao macrocosmo, e que os ciclos da natureza é que vitalizam igualmente plantas, animais e eles próprios. Portanto, respeitam, cooperam e produzem, não pensando somente em si mesmos, mas na coletividade.
Sabem que ao mesmo tempo, sozinhos ou juntos, somos todos viajantes nas estradas da vida universal, em busca de crescimento e perfeição.
Voltaram-se para si mesmos e descortinaram a presença divina em sua intimidade e, em vista disso, agora não buscam somente a exterioridade da vida, mas a abundância da vida íntima, fazendo quase sempre uma jornada cósmica para dentro do seu universo interior, na intimidade da própria alma.
Regenerados são os seres humanos que notaram que não podem modificar o mundo dos outros, mas apenas o seu próprio mundo. Que os indivíduos, lugares e ambientes não podem ser mudados, e que as únicas coisas que podem e devem ser alteradas são suas atitudes pessoais, reações e atos relacionados a esses mesmos
indivíduos, lugares e ambientes de sua vida.
Conseguiram angariar sabedoria em decorrência das vivências anteriores. Diferenciam o que lhes cabe fazer e, por conseguinte, o que são deveres dos outros. Só fazem, portanto, auto-julgamento, deixando a cada um realizar sua própria avaliação.
Na realidade, trazem certas competências e destrezas alicerçadas no poder de observação, por já possuírem uma considerável ?coleta de dados?. São consideradas criaturas sábias, por seus constantes ?insights?, isto é, compreensões súbitas diante de decisões e resoluções da vida.
São homens que adquiriram a habilidade de resolver suas dificuldades com recursos novos e criativos, usando maneiras inovadoras de solucionar os acontecimentos do cotidiano.
Reconhecem que a vida é uma sucessão de ocorrências interdependentes, por possuírem a capacidade de observar as relações existenciais. Sempre lançam mão dos fatos passados e os entrelaçam aos atuais, chegando à profunda compreensão das situações e de seus problemas.
Descortinaram horizontes novos, porque reservaram no dia-a-dia algum tempo para se conhecer melhor, anotando idéias e sensações a fim de esclarecer para si próprios o porquê de sentimentos desconexos, emoções variáveis e ações contraditórias, visto que tal conhecimento os ajudará a viver de forma mais serena e previsível.
Obtiveram transformações íntimas, surpreendentes, pois conseguiram se ver como realmente são.
Retiram máscaras, que inicialmente lhes davam um certo conforto e segurança, já que depois, eles mesmos reconheceram que elas os aprisionavam por entre grilhões e opressões.
Aprenderam que não vale a pena representar inúmeros papéis, como se a vida fosse um grande teatro, mas sobretudo assumir sua própria missão na Terra, porque constataram que cada um tem uma quota própria de contribuição perante a Criação, e que não nasce no Planeta nenhuma criatura cuja tarefa não tenha sido predeterminada.
Regenerados são os reabilitados à luz das verdades eternas. Adotaram Jesus como o ?Sábio dos Sábios? e, por seguirem Seus passos, fazem sempre o seu melhor. Reconheceram que o erro nunca será motivo de abatimento e paralisação e sim de estímulo ao aprendizado. Por isso, seguem adiante, pacientes consigo mesmos e com os outros, ganhando cada vez mais autonomia e discernimento ante as leis de amor que regem o Universo.